Comunicação em evento científico
Contextos de trabalho dos jovens sociólogos
Ana Romão (Ana Romão); Madalena Ramos (Ramos, M.);
Título Evento
Os Jovens como Atores da Mudança Social. Colóquio Internacional.
Ano
2015
Língua
Português
País
Portugal
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Abstract/Resumo
Estudos diversos permitem pensar que as escolhas dos jovens no momento em que ingressam no ensino superior são reveladoras de opções não redutíveis a interesses instrumentais estritamente orientados por preocupações com a entrada no mercado de trabalho vislumbrando o acesso a posições socioprofissionais duplamente remuneratórias, nos planos económico e estatutário (Alves, M. G., Alves, N. e Chaves, 2012). No que respeita especificamente aos jovens que optam por se diplomar em Sociologia, e de acordo com o apurado pelo Observatório do Curso de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, “a possibilidade de intervenção no âmbito da realidade social” constitui a principal razão de escolha do curso; a segunda razão aponta a possibilidade de acesso a uma profissão cuja prática é tida como proporcionadora de “satisfação e realização pessoal”. Este mix de valores, combinando orientações “sócio-centradas” e “ego-centradas”, ganha consistência mais delineada em favor de um perfil orientado para o social e para as dinâmicas de mudança, se atendermos a que o “interesse pela sociologia como disciplina científica” e a “possibilidade de participar no desenvolvimento do país” são as restantes razões mais evocadas pelos estudantes inquiridos, configurando-se assim um “perfil activista”, que poderá estar ligado aos “processos de construção social da vocação destes estudantes” (Gonçalves, Dias e Lopes, …: 192-93). Sabe-se, porém, que a relação entre vocação, formação e posterior inserção profissional tem evoluído para relações cada vez mais complexas e labirínticas (Pais, 2001). A inserção profissional dos diplomados em Sociologia beneficiou do crescimento do emprego não académico em setores públicos e privados com necessidades para mobilizar saberes aplicados e competências para agir nas relações entre o chamado campo profissional e o campo científico. Alargaram-se assim as possibilidades de trabalho, nos centros de investigação, mas também em múltiplas atividades, designadamente ligadas a projetos de desenvolvimento, consultoria etc. (Baptista, Machado e Romão, 2012). Como não poderia deixar de ser, o acesso dos jovens sociólogos ao mercado profissional tem sido uma preocupação constante por parte da Associação Portuguesa de Sociologia (APS). Dados de um inquérito aos sócios da APS realizado em 2008 mostravam apreciações muito positivas no que diz respeito à satisfação pessoal com a profissão e ao reconhecimento social do trabalho sociológico. Já as apreciações quanto à confiança na estabilidade profissional se revelavam menos otimistas. Com efeito, as dinâmicas promissoras que se conjugaram no sucesso da sociologia portuguesa confrontaram-se, nos anos mais recentes, com os efeitos recessivos impostos a todos os domínios de atividade (Baptista, Machado e Romão, 2012). Em 2013, num contexto de crise, a APS realizou o primeiro levantamento nacional às práticas profissionais dos licenciados em Sociologia. Contemplaram-se três dimensões de análise: formativa, profissional e sociobiográfica. Na amostra de 1207 diplomados, a maior parte (51%) tem 36 anos ou menos, situando-se a idade média em 37,4 anos (com um desvio padrão de 10,5 anos). O que propomos nesta comunicação é traçar o perfil dos/as sociólogos/as mais jovens, comparando os seus contextos de formação e trabalho com os resultados globais da amostra inquirida. Finalmente, discutir-se-á em que medida as gerações de sociólogos/as mais jovens, por via das atividades em que se inserem, se constituem atores da mudança social.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
Jovens, Sociologia, Práticas profissionais.