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Estado Social Real
Abstract/Resumo
Tal como ocorreu com a União Soviética e o seu socialismo real, também com a Europa e o seu estado social real se vive um encanto decadente que paralisa a acção. O Fórum Social Mundial, apoiado pelo Partido dos Trabalhadores no Brasil, para se contrapor ao Fórum Económico Mundial neoliberal, não parou a exploração da natureza, incluindo a dos recursos humanos. Criou o slogan “um outro mundo é possível”, contra o discurso único, o “não há alternativa”, mas não concretizou. O falhanço político das esquerdas globais ilustra o que é o estado social real: uma idolatria do estilo de vida europeu, incompatível com a saúde do meio ambiente e da mente. Caso Lula não tivesse sido preso, seria ele o Presidente do Brasil em 2019, em vez de Bolsonaro, candidato da estrema direita. Grande parte dos que protestaram nas ruas a exigir transportes mais baratos, e dos que votariam à esquerda, houvesse um candidato carismático, votaram na retórica explicitamente misógina, elitista e racista, que substituiu a retórica do mesmo género mas dissimulada, própria do estado social. O Brasil, durante os governos da esquerda, referência global no início do século XXI, tornou-se o quarto país do mundo com mais presos, triplicando o número entre 2000-2016, de 233 mil para 726 mil presos, ao mesmo tempo que retirou da miséria absoluta milhões de pessoas. O copo está meio cheio ou meio vazio? O estado social será o melhor dos que usam o capitalismo. Mas o crescimento do capitalismo é incompatível com a segurança ambiental da humanidade. E a anestesia ministrada à forças populares, orientada por ciências sociais, impede as pessoas de reconhecerem o seu entorpecimento mental, viciadas em sacrifícios, trabalho e consumo, impedindo-as de cuidarem de si mesmas e de evitar o ecocídio em curso.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
estado,ciências sociais,crise ambiental,cuidados
  • Sociologia - Ciências Sociais