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Correia, S.B. (2024). Entre as impossibilidades do passado e uma nova ordem de género - análise dos percursos profissionais de mulheres artistas visuais portuguesas. Woman XXI - 3rd International Conference.
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S. A. Correia,  "Entre as impossibilidades do passado e uma nova ordem de género - análise dos percursos profissionais de mulheres artistas visuais portuguesas", in Woman XXI - 3rd Int. Conf., Porto, 2024
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TY  - CPAPER
TI  - Entre as impossibilidades do passado e uma nova ordem de género - análise dos percursos profissionais de mulheres artistas visuais portuguesas
T2  - Woman XXI - 3rd International Conference
AU  - Correia, S.B.
PY  - 2024
CY  - Porto
UR  - https://woman.eventqualia.net/pt/2024/inicio/
AB  - A presente comunicação decorre de uma pesquisa de doutoramento em curso que procura evidenciar qual é a composição de género do campo artístico português e também compreender a forma como o género estrutura o conjunto de possibilidades e constrangimentos das trajectórias profissionais das artistas visuais. 
A literatura demonstra que historicamente, a participação das mulheres tem ficado muito aquém da dos homens em matéria de acesso, visibilidade e reconhecimento no campo artístico. A persistência de desigualdades de género materializa-se nas posições periféricas que ocupam o que implica maiores obstáculos na persecução de trajectórias profissionais satisfatórias do ponto de vista da autonomia financeira e da legitimação artística (Vicente, 2005, 2012, 2015; Sabino, 2012).  
Na componente qualitativa da investigação, foram mapeados, usando entrevistas aprofundadas, os percursos biográficos de 43 mulheres artistas com idades compreendidas entre os 23 e os 79 anos. A  análise dos seus discursos permitiu conhecer o que observam no campo e também como experienciam  o impacto do género nas suas actividades profissionais. 
O campo artístico português é descrito como um lugar instável onde as práticas culturais e sociais privilegiam os homens e cuja aleatoriedade no acesso, permanência e sustentabilidade resulta em multicamadas de precariedade. A ausência de vínculos laborais e a não garantia de rendimentos continuados são para algumas a realidade quotidiana e o grande motivo de preocupação. Parte delas, apesar de considerarem que se sentam neste barco juntamente com os seus colegas homens, asseguram que o facto de serem mulheres as coloca em lugares de 2ª classe. 
Apesar de identificarem situações de desigualdade de género, muitas artistas entendem que os seus percursos são afectados por outras circunstâncias, como sejam: a classe social de origem, a qualidade da rede social, a aleatoriedade das decisões dos gatekeepers ou a dimensão e desregulação do mercado da arte.
As desigualdades na conciliação das esferas de vida é o tema que une as representações e as práticas de todas as artistas. Admitem que a conciliação exige maior esforço e tempo às mulheres e que a parentalidade é um projecto que também tem maior impacto profissional sobre elas. Das artistas que foram mães, quase todas assumem o abrandamento ou mesmo a interrupção da prática artística durante períodos variáveis enquanto que aquelas que ainda não foram, admitem que o projecto de maternidade é fortemente constrangido pela ideia de desaparecimento profissional e também pela precariedade. 
Os resultados desta pesquisa permitem situar as experiências destas mulheres entre as “impossibilidades do passado” (Silva & Leandro, 2013) que ainda as atiram para as periferias do campo artístico, e uma nova ordem social (e de género), que mais recentemente, parecem animar quer as estruturas artísticas quer a agência das mulheres e as colocam mais perto dos tão desejados centros. 

ER  -