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Costa, P., Lopes, R., V. & Perestrelo, Margarida (2024). Práticas artísticas participativas nas “periferias” do “sul” da Europa: impactos e desafios. IV SIEC Conference – Seminário Iberoamericano de Economia da Cultura,,.
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P. M. Costa et al.,  "Práticas artísticas participativas nas “periferias” do “sul” da Europa: impactos e desafios", in IV SIEC Conf. – Seminário Iberoamericano de Economia da Cultura,, Cidade do México, 2024
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	title = "Práticas artísticas participativas nas “periferias” do “sul” da Europa: impactos e desafios",
	year = "2024"
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TY  - CPAPER
TI  - Práticas artísticas participativas nas “periferias” do “sul” da Europa: impactos e desafios
T2  - IV SIEC Conference – Seminário Iberoamericano de Economia da Cultura,
AU  - Costa, P.
AU  - Lopes, R., V.
AU  - Perestrelo, Margarida
PY  - 2024
CY  - Cidade do México
AB  - -	Costa, P.; Lopes, R.V.; Perestrelo, M. (2024), “Práticas artísticas participativas nas “periferias” do “sul” da Europa: impactos e desafios”. Presentation to the IV SIEC Conference – Seminário Iberoamericano de Economia da Cultura, Palacio de la Autonomía de la Fundación UNAM y Centro Cultural de España en México, Ciudad de Mexico, Mexico, 27–29 November 2024

“Stronger Peripheries: a Southern Coalition” é um projeto de cooperação de larga escala cofinanciado pelo Programa Europa Criativa da União Europeia, o qual está a ser desenvolvido, entre 2020-2024, através de uma rede informal que reúne organizações culturais e unidades de investigação de dez países europeus do sul e do leste da Europa. Assume-se como um espaço de diálogo, colaboração e aprendizagem conjunta, questionando e discutindo as noções de "sul" e de "periferias" através de diversas estratégias artísticas colaborativas. 
É um projeto que envolve catorze parceiros (onze organizações ou redes culturais e três universidades, para além de uma quarta unidade de investigação, associada indiretamente ao projeto) de dez países do Sul da Europa e Balcãs.  Estes têm perfis muito diversos, incluindo redes de cooperação e de programação cultural nos territórios, teatros e espaços culturais, festivais, espaços de criação artística e universidades (sendo uma destas últimas o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, através do DINAMIA’CET-iscte, unidade onde se insere a equipa de investigação responsável por esta comunicação). Sendo um projeto que alia as componentes de criação artística e de investigação, visa, na sua matriz, questionar os conceitos de “sul” e de "periferias" (assumidos mais enquanto conceitos culturais do que puramente geográficos), vendo a cultura e as práticas artísticas como formas para promover a negociação das identidades coletivas e criar dinâmicas de capacitação e oportunidades de empoderamento das comunidades que questionem as dinâmicas de poder no campo cultural e as dicotomias simplistas entre norte e sul, ou entre centro(s) e periferia(s). 
O programa de criação artística (realizado a partir de “Tandems” que cruzam os diversos parceiros – e suas comunidades – em processo de criação artística territorialmente ancorados) desenvolve-se sob 6 tópicos transversais de reflexão e debate, que refletem desafios sociais e políticos prevalentes no “sul periférico”: “Work and Happiness”, “Connecting Dots”, “Daily Bread”, “Having a Voice”, “Bridging the Gap” e “Right to the Future”. Estes são temas que permitem, por um lado, uma estratégia de mediação no diálogo com as comunidades locais, sendo interpretados e materializados localmente através da relação entre artistas, participantes e públicos, e por outro lado, são aspetos fulcrais para a discussão mais académica e científica (e de debate público com as comunidades artísticas nos diversos países envolvidos) realizada ao longo de todo o projeto.
O acompanhamento efetuado pela equipa de investigação do DINÂMIA’CET-Iscte envolvida neste projeto permitiu uma reflexão aprofundada sobre a forma como a discussão destes conceitos (sul, periferia, participação cultural, etc.) foi sendo  feita no âmbito deste projeto, seja da forma como artisticamente estas noções foram sendo trabalhadas e apropriadas nos processos criativos e artísticos por parte dos diversos parceiros envolvidos, seja dos resultados dos diversos momentos de discussão mais conceptual e analítica efetuada pelos parceiros, equipas de  investigação e convidados envolvidos nesta discussão, nos múltiplos workshops, conferências e atividades realizadas ao longo destes 4 anos.
Em paralelo a esta reflexão, a equipa coordenou também no âmbito deste projeto, a co-construção de dois “toolkits” (um para análise de audiências/públicos e outro para avaliar a qualidade da participação nestes processos), e esteve ativamente envolvida no debate dos temas gerais em discussão, nas diversas atividades artísticas e científicas do projeto, bem como no equacionar das suas implicações em termos das políticas culturais, europeias e nacionais.
Toda esta atividade de investigação, vertida em diversos outros textos e comunicações anteriormente apresentados, permitiu também concretizar aquele que era um dos objetivos primaciais desta equipa de pesquisa neste projeto: a avaliação geral do seu funcionamento e dos seus impactos. Uma lógica de monitorização tão contínua e próxima do funcionamento do projeto, baseada uma abordagem de investigação-ação, permitiu a utilização e desenvolvimento de metodologias menos usuais para a avaliação dos impactos e dos desafios trazidos pelo projeto e uma expectativa de obtenção de resultados mais consistentes em termos do seus impactos nos territórios e comunidades envolvidos, em particular aqueles de carácter mais qualitativo, perspetivados em toda a sua multidimensionalidade (em termos económicos, culturais, socais, ambientais, e da dimensão da cidadania e participação).
Tendo em conta este contexto, o objetivo desta apresentação é precisamente refletir sobre os impactos do projeto Stronger Peripheries e os desafios que este coloca em termos das práticas artísticas participativas nas “periferias” do “sul” da Europa. A avaliação dos impactos de um projeto deste tipo é necessariamente complexa, multidimensional e exige um calendário e uma distância que não são facilmente compatíveis com o âmbito da sua duração de 4 anos. Assumindo essa perspetiva, a avaliação que é sintetizada nesta apresentação está estruturada em três níveis: (i) uma avaliação processual, centrada na implementação das atividades do projeto Stronger Peripheries e no confronto da observação dos investigadores com os dados factuais alcançados sobre as atividades do projeto; (ii) uma identificação de desafios aos processos participativos e à ação futura dos agentes culturais neste tipo de projetos colaborativos internacionais; e (iii) uma síntese exploratória dos diversos tipos de impactos (artísticos, sociais, económicos, etc.) que o projeto trouxe às comunidades em que as suas atividades foram desenvolvidas, baseando-se essencialmente na autoavaliação, pelos diferentes parceiros, das atividades realizadas nos seus “tandems” de criação/produção artística. 
Diferentes abordagens metodológicas foram mobilizadas, no quadro acima contextualizado (envolvendo observação direta, entrevistas semiestruturadas, inquéritos e grupos focais), assumindo a perspetiva de um processo de investigação-ação, contínuo, ao longo de toda a pesquisa. 
Os resultados obtidos, a cada um destes três níveis, são sintetizados e sistematizados nesta apresentação, sendo esta análise assumida como uma oportunidade para refletir sobre os impactos do projeto e as suas especificidades, bem como sobre os desafios às práticas participativas nas artes performativas no contexto particular do sul da Europa e suas potenciais implicações em termos de políticas públicas.

ER  -