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Lyrio, B. (2025). Do diploma ao bem-estar: aspirações e desafios dos estudantes-migrantes brasileiros em Lisboa. XV Congresso da Geografia Portuguesa.
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B. L. Pinho,  "Do diploma ao bem-estar: aspirações e desafios dos estudantes-migrantes brasileiros em Lisboa", in XV Congr.o da Geografia Portuguesa, Évora, 2025
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TY  - CPAPER
TI  - Do diploma ao bem-estar: aspirações e desafios dos estudantes-migrantes brasileiros em Lisboa
T2  - XV Congresso da Geografia Portuguesa
AU  - Lyrio, B.
PY  - 2025
CY  - Évora
UR  - https://cgeop.pt/
AB  - Este trabalho tem como objetivo compreender a relação entre migração por estilo de vida e qualidade de vida entre estudantes-migrantes brasileiros residentes em Lisboa. Parte-se do pressuposto de que este grupo se configura não apenas como estudantes inseridos na mobilidade estudantil internacional, mas também como migrantes de estilo de vida: indivíduos relativamente privilegiados que buscam experiências de vida mais satisfatórias, priorizando segurança, bem-estar e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal (Benson & O’Reilly, 2009; 2016), em uma cidade cosmopolita europeia (King, 2017). A partir da confluência entre as literaturas da mobilidade estudantil internacional e da migração de estilo de vida, analisam-se as perceções dos estudantes sobre qualidade de vida, considerando o contexto urbano lisboeta e as tensões entre aspirações e realidade. Apesar de inseridos num fluxo educacional, os estudantes brasileiros partilham motivações semelhantes às descritas na literatura sobre migração de estilo de vida, como a procura por maior tempo livre, lazer e consumo (Torkington, 2012). O trabalho de campo decorreu entre 2022 e 2024, combinando etnografia, entrevistas em profundidade e grupos focais. Os dados foram analisados segundo a metodologia de análise temática. Um dos eixos analíticos centrais foi a categoria “qualidade de vida”, construída a partir dos discursos dos participantes sobre o que consideram essencial para viver bem e se, no contexto lisboeta, sentem-se mais próximos ou distantes desse ideal. As respostas revelam uma valorização recorrente de elementos como segurança urbana, equilíbrio entre trabalho e lazer, acessibilidade territorial, custo de vida e integração social. Os resultados indicam que a maioria considera estar mais próxima da qualidade de vida ideal em Lisboa do que nas cidades brasileiras de origem, sobretudo pela perceção de segurança e menor stress urbano. No entanto, emergem também desafios significativos: custo elevado da habitação, dificuldades de inserção laboral e social e episódios de xenofobia. Esses elementos revelam a coexistência entre privilégio e vulnerabilidade, desafiando visões simplificadas da migração de estilo de vida como fenómeno elitista. Conclui-se que a qualidade de vida, para estes estudantes-migrantes, é experienciada como processo dinâmico e relacional, marcado pelas condições urbanas e pelas redes sociais disponíveis. A investigação contribui para o debate sobre migração, qualidade de vida e bem-estar nas cidades, apontando para a necessidade de maior articulação entre políticas de internacionalização do ensino superior e estratégias de inclusão social urbana.
ER  -