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Sousa, I.C. (2026). Entre o prescrito e o real: repensar a atividade no contexto do teletrabalho. Laboreal: 20 anos de evoluções.
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I. C. Sousa,  "Entre o prescrito e o real: repensar a atividade no contexto do teletrabalho", in Laboreal: 20 anos de evoluções, Porto, 2026
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@misc{sousa2026_1773310027718,
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	howpublished = "Impresso"
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TY  - CPAPER
TI  - Entre o prescrito e o real: repensar a atividade no contexto do teletrabalho
T2  - Laboreal: 20 anos de evoluções
AU  - Sousa, I.C.
PY  - 2026
CY  - Porto
AB  - O teletrabalho ganhou particular visibilidade durante a pandemia de COVID-19, em resposta aos confinamentos decretados pelas autoridades de saúde em praticamente todo o mundo. O recurso massivo a esta forma de organização do trabalho constituiu uma experiência sem precedentes, em larga medida involuntária e, em muitos casos, para a qual trabalhadores e organizações se encontravam pouco preparados. Este fenómeno impulsionou uma extensa produção científica sobre o teletrabalho e foi amplamente debatido como um marco da transformação estrutural do trabalho e como expressão do denominado “futuro do trabalho”, com impacto significativo na atração e retenção de talentos.
A literatura produzida no período pandémico não se limitou à análise de práticas, perceções e resultados associados ao teletrabalho. Ainda que de forma menos expressiva, emergiu também a discussão em torno do conceito de teletrabalhabilidade (teleworkability), entendido como a capacidade ou possibilidade técnica de trabalhar à distância (Sostero et al., 2020). A crise sanitária tornou particularmente visível a distinção entre funções que poderiam ser realizadas remotamente e funções que, pela sua natureza, exigiam presença física (Dingel & Neiman, 2020), frequentemente enquadradas como “essenciais”.
Segundo Sostero e colegas (2020), a possibilidade de realizar o trabalho à distância varia em função do grau de interação social exigido e da intensidade das operações físicas envolvidas. Esta definição enfatiza a dimensão técnica, ao sublinhar que a teletrabalhabilidade depende do tipo de tarefas passíveis de execução remota, com base nas tecnologias disponíveis (Brussevich et al., 2022). Contudo, ao centrar-se no trabalho prescrito, esta perspetiva tende a ignorar transformações essenciais que ocorrem na atividade real quando as condições sociais, organizacionais e materiais se alteram, na medida em que existe frequentemente um desfasamento entre a teletrabalhabilidade formal do trabalho e as condições reais de realização da atividade. Uma atividade pode ser considerada tecnicamente teletrabalhável, mas revelar-se insustentável à distância quando as condições concretas de realização não permitem a regulação da atividade.
O presente trabalho propõe uma leitura da teletrabalhabilidade a partir da Ergonomia centrada na Atividade (Daniellou, 2005; Leplat, 2004), argumentando que a capacidade de trabalhar remotamente depende, sobretudo, das condições em que a atividade se desenvolve. Esta abordagem fornece um quadro teórico robusto para analisar as transformações da atividade em contexto de teletrabalho, permitindo ultrapassar uma visão estritamente prescritiva das tarefas. Enquanto abordagem pluridisciplinar de análise do trabalho, a Ergonomia centrada na Atividade considera diferentes níveis (individual, coletivo, organizacional e territorial), bem como distintos objetivos analíticos e objetivos para a ação (Barcellini et al., 2025). Nesta perspetiva, a atividade do trabalhador consiste num processo de apropriação do seu ambiente de trabalho, através do qual mobiliza ações, estratégias e decisões para regular constrangimentos e responder aos objetivos organizacionais.
ER  -