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Fale, L., Costa, S. & Jalali, M. (2026). “Isso aqui não é relevante, o que importa é se é bom profissional”: o paradoxo da neutralidade e a regulação de identidades LGB em business schools portuguesas . 3º Seminário Internacional Interdisciplinar a Visibilidade LGBTQIA+.
L. T. Falé et al., "“Isso aqui não é relevante, o que importa é se é bom profissional”: o paradoxo da neutralidade e a regulação de identidades LGB em business schools portuguesas ", in 3º Seminário Internacional Interdisciplinar a Visibilidade LGBTQIA+, Covilhã, 2026
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TY - CPAPER TI - “Isso aqui não é relevante, o que importa é se é bom profissional”: o paradoxo da neutralidade e a regulação de identidades LGB em business schools portuguesas T2 - 3º Seminário Internacional Interdisciplinar a Visibilidade LGBTQIA+ AU - Fale, L. AU - Costa, S. AU - Jalali, M. PY - 2026 DO - 10.36229/978-65-5866-674-5 CY - Covilhã AB - As business schools apresentam-se frequentemente como contextos meritocráticos e neutros, com impacto na formação de futuros líderes. A literatura tem, contudo, mostrado que o profissionalismo funciona também como um script normativo que define quais comportamentos e identidades são considerados legítimos e credíveis. Este estudo investiga esse paradoxo, perguntando de que forma as normas de profissionalismo regulam experiências de pertença em escolas de gestão portuguesas. A orientação sexual constitui uma lente analítica particularmente útil, na medida em que pode ser revelada, ocultada ou estrategicamente gerida no contexto profissional. Foram conduzidas 68 entrevistas semiestruturadas com docentes lésbicas, gays e bissexuais (LGB) e não-LGB nas cinco principais escolas de gestão portuguesas classificadas pelo ranking do Financial Times. Os dados foram analisados através da metodologia Gioia, o que permitiu desenvolver um modelo conceptual sobre o profissionalismo enquanto norma reguladora de identidade no contexto organizacional das business schools. O valor institucional é frequentemente descrito como mensurável e independente da identidade pessoal. Embora a orientação sexual seja apresentada como profissionalmente irrelevante, a neutralidade opera de forma assimétrica: a heterossexualidade surge como referência implícita e não marcada, enquanto expressões de identidade LGB se tornam hipervisíveis e sujeitas a avaliação. Apesar da ausência de sanções formais, os/as participantes relatam microagressões depreciativas, distanciamento relacional e questionamento da credibilidade profissional. A revelação da orientação sexual é frequentemente enquadrada como desnecessária ou inadequada, reforçando uma cultura de silêncio normativo na qual identidades LGB são toleradas sobretudo quando neutralizadas. Conclusão: Em resposta a este contexto, docentes recorrem a estratégias situacionais de gestão da identidade — ocultação, compartimentação da vida pessoal e hiperprofissionalismo — em que a produtividade funciona como capital compensatório para estabilizar legitimidade. Estes processos comprometem as necessidades psicológicas de autonomia, relação e competência propostas pela Self-Determination Theory e refletem dinâmicas associadas ao stresse de minoria. Propõe-se o conceito de heteroprofissionalismo para descrever esta configuração: uma norma aparentemente neutra de profissionalismo que incorpora expectativas heteronormativas enquanto preserva o discurso meritocrático. Esforços de inclusão em business schools devem ultrapassar compromissos simbólicos e promover culturas institucionais genuinamente favoráveis às necessidades psicológicas e à expressão identitária. ER -
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