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Vacha, A. & Vene,M. (2026). Rainhas Invisíveis. O apagamento historiografico feminino em Moçambique.. 1ª Conferência Internacional do GEHA-UFRGS. Fontes para os estudos africanos em perspectivas: desafios, rupturas e inovação metodologicas na História.,.
A. Vacha and M. Vene, "Rainhas Invisíveis. O apagamento historiografico feminino em Moçambique.", in 1ª Conferência Internacional do GEHA-UFRGS. Fontes para os estudos africanos em perspectivas: desafios, rupturas e inovação metodologicas na História., 2026
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TY - CPAPER TI - Rainhas Invisíveis. O apagamento historiografico feminino em Moçambique. T2 - 1ª Conferência Internacional do GEHA-UFRGS. Fontes para os estudos africanos em perspectivas: desafios, rupturas e inovação metodologicas na História. AU - Vacha, A. AU - Vene,M. PY - 2026 UR - https://gehaufrgs.wordpress.com/conferencia/programacao/ AB - Cinco décadas após a independência de Moçambique, num momento de balanço da trajectória do Estado pós-colonial, permanece sem resposta conclusiva a questão da escassa representação feminina no panteão historiográfico nacional. À excepção das mulheres reconhecidas pela sua participação na luta de libertação, persiste um vazio historiográfico em torno das lideranças femininas, nomeadamente as ligadas às comunidades e à tradição local. O artigo interroga as razões dessa invisibilidade, questionando narrativas colonialistas de longa duração e dialogando com exemplos que valorizam a autoridade feminina em contextos tradicionais africanos. A hipótese central é que tal invisibilidade resulta da combinação de vários factores. Por um lado, mantêm-se vieses herdados da historiografia colonial, que impôs leituras patriarcais e apagou formas locais de poder feminino. Por outro, em Moçambique, persistem limitações materiais, incluindo dificuldades financeiras para sustentar pesquisas históricas. Acresce que o projecto do “homem novo”, promovido pela FRELIMO no pós-independência, também teve um papel relevante. Ao combater o “tribalismo”, o “atavismo” e práticas rituais classificadas como “obscurantistas”, esse projecto atingiu esferas frequentemente associadas às mulheres, contribuindo para uma nova invisibilização. Mesmo após a restituição das relíquias do rei Ngungunhane, em 1985, não houve discussão sobre o destino das rainhas exiladas. De modo semelhante, figuras como Acivaanjila, mulher principal de Mataaka I (Ce-Nyaambi) e guardiã espiritual do Estado Mataaka, bem como a rainha Naguema dos Namarrais, permanecem vivas na memória colectiva, mas ausentes de memoriais e estátuas, e ignoradas nos manuais escolares, na toponímia urbana e nos nomes de escolas. Com recurso à tradição oral, a narrativas literárias e a estudos biográficos, o presente estudo procura ressaltar a importância destas figuras para Moçambique e defender uma historiografia mais inclusiva. ER -
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