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Margato, G. (2026). A geografia do encontro, a amnésia colonial e negação do tempo na política externa portuguesa. Terceiro Encontro Internacional: "O Espaço como Negação do Tempo na Crise do Capital",.
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G. C. Margato,  "A geografia do encontro, a amnésia colonial e negação do tempo na política externa portuguesa", in Terceiro Encontro Internacional: "O Espaço como Negação do Tempo na Crise do Capital", Lisboa, 2026
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	title = "A geografia do encontro, a amnésia colonial e negação do tempo na política externa portuguesa",
	year = "2026"
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TY  - CPAPER
TI  - A geografia do encontro, a amnésia colonial e negação do tempo na política externa portuguesa
T2  - Terceiro Encontro Internacional: "O Espaço como Negação do Tempo na Crise do Capital"
AU  - Margato, G.
PY  - 2026
CY  - Lisboa
AB  - Nos 50 anos de democracia, a política externa portuguesa (PEP) tem vindo a ser apresentada e representada como um consenso de regime, em particular a partir da adesão às Comunidades Europeias. Quer as elites políticas, quer as elites académicas que se têm dedicado ao estudo da PEP, têm enfatizado sobremaneira uma continuidade ancorada numa geografia do encontro, um espaço geográfico que é naturalizado e apresentado como o resultado do encontro de vários espaços.
A presente comunicação visa interrogar esse consenso alargado, indagando as implicações de um repertório discursivo ancorado na reificação da espacialidade enquanto constante naturalizadora das opções de política externa. Para tal, recorremos a uma análise crítica do discurso das elites de política externa portuguesa (presidentes da república, primeiros-ministros, ministros dos negócios estrangeiros, ministros da defesa nacional), focando particularmente o período pós-adesão às Comunidades Europeias (1986-2026).
A partir desta análise, mapeiam-se as consequências da reificação da leitura da geografia portuguesa enquanto espaço de transição entre várias geografias – Atlântica, Europeia, Mediterrânica, Africana. Em primeiro lugar, argumentamos que a ideia de permanência da política externa (mesmo entre regimes) ancora-se na imutabilidade geográfica. É nesta permanência que se constrói uma negação de diferentes temporalidades, enfatizando-se os benefícios da imutabilidade como processo legitimador. A ancoragem geográfica permite ainda a amnésia face à violência colonial, mutuamente informada pela normalização de um presentismo neoliberal. Por fim, a partir da retórica de uma política externa global, as elites político-diplomáticas portuguesas constroem discursivamente um presente eterno no qual é a geografia que define a centralidade do país na cena internacional como realidade imutável.
ER  -