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Nunes, Francisco Oneto (2015). “A patrimonialização das culturas marítimas: entre a miséria e a devastação ambiental” . comunicação apresentada em 26 de Junho de 2015 no colóquio “Artes de Pesca, Cultura e Patrimónios”, iniciativa realizada no âmbito da Exposição “Artes de Pesca: Pescadores, Normas, Objectos Instáveis”, MNE – Museu Nacional de Etnologia.
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F. M. Nunes,  "“A patrimonialização das culturas marítimas: entre a miséria e a devastação ambiental” ", in comunicação apresentada em 26 de Junho de 2015 no colóquio “Artes de Pesca, Cultura e Patrimónios”, iniciativa realizada no âmbito da Exposição “Artes de Pesca: Pescadores, Normas, Objectos Instáveis”, MNE – Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, 2015
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TY  - CPAPER
TI  - “A patrimonialização das culturas marítimas: entre a miséria e a devastação ambiental” 
T2  - comunicação apresentada em 26 de Junho de 2015 no colóquio “Artes de Pesca, Cultura e Patrimónios”, iniciativa realizada no âmbito da Exposição “Artes de Pesca: Pescadores, Normas, Objectos Instáveis”, MNE – Museu Nacional de Etnologia
AU  - Nunes, Francisco Oneto
PY  - 2015
CY  - Lisboa
AB  - Pretendo nesta comunicação evidenciar algumas das características distintivas da metodologia antropológica que, pela sua originalidade e pluralismo de tradições intra-disciplinares, se afiguram capazes de contribuir para a crítica de uma certa vaga patrimonializadora que, desde há alguns anos a esta parte, tem assaltado a cultura popular portuguesa. A natural inserção sistémica dos fenómenos estudados pelos antropólogos é actualmente complexificada pelas exigências da rede digital global e pelo advento de uma nova ordem mundial marcada por transformações profundas no mundo do trabalho, pela crescente desigualdade na produção e na repartição das riquezas, pelo colapso dos sistemas de suporte à vida e pela emergência de uma hiperburguesia planetária, “pós-moderna, hedonista, desculturada e fundada sobre a predação rápida e sistemática” (Dufour) dos bens comuns, da propriedade social e das identidades.  E se, por um lado, são positivos os esforços de classificação e inventariação dos traços culturais de determinados grupos profissionais e artísticos, ou regiões, por outro lado, porém, algumas destas iniciativas poderão facilmente configurar autênticas práticas predatórias com meros fins comerciais, de “branding” e “valorização turística” feitas com recursos públicos em benefício de entidades cujos interesses são alheios aos grupos cuja cultura visam “salvar”. Como matéria prima de suporte a esta reflexão, reportar-me-ei a dois processos de patrimonialização que incidem, precisamente, sobre o universo cultural no qual desenvolvi a minha pesquisa etnográfica ao longo da já distante década de 90, designadamente: a “candidatura da cultura avieira a património nacional” e a “candidatura da arte-xávega a património cultural da humanidade”. Entre a miséria em que ainda vivem largos sectores destes grupos piscatórios e a devastação ambiental a que estão sujeitos os frágeis ecossistemas costeiros em que desenvolvem as suas actividades, o que proponho é uma reavaliação urgente da ordem de prioridades no que concerne à produção de conhecimento relativo a estes universos.
ER  -