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Mineiro, João. (2018). Por dentro de relações de poder: desafios teóricos e metodológicos. X Congresso Português de Sociologia.
J. N. Mineiro, "Por dentro de relações de poder: desafios teóricos e metodológicos", in X Congr.o Português de Sociologia, 2018
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TY - CPAPER TI - Por dentro de relações de poder: desafios teóricos e metodológicos T2 - X Congresso Português de Sociologia AU - Mineiro, João. PY - 2018 AB - O que têm em comum a gestão das universidades públicas, os rituais de praxe académica e o exercício quotidiano da representação política no Parlamento? Sendo contextos sociais muito distintos, ambos nos conduzem para o interior das relações de poder e dos processos sociais que ditam a sua estruturação, reprodução e naturalização. Um dos maiores desafios que se colocam às ciências sociais é a sua capacidade de escrutinar e frustrar os discursos de poder sobre a realidade. Discursos, esses, de complexa análise crítica, dada a sua naturalização e incorporação nas relações sociais quotidianas, desde logo na própria identidade do investigador e nos vínculos que estabelece com a realidade investigada. Desta forma, estudar relações e discursos de poder implica uma análise e uma discussão particularmente atentas e reflexivas quanto às opções e estratégias a mobilizar no plano teórico e metodológico. A presente comunicação discute algumas destas opções e das suas implicações epistemológicas de um ponto de vista empírico, isto é, convocando três experiências de investigação em torno das relações sociais de poder: uma primeira sobre as disputas de poder nas universidades; uma outra sobre as relações de poder nos rituais de praxes académicas; e uma terceira sobre o trabalho quotidiano dos deputados na Assembleia da República. Nos três casos, confrontei-me com duas questões epistemológicas de grande importância: Como estudar relações de poder e a sua estruturação, contrariando a reprodução dos discursos do poder sobre a realidade social? Como fazê-lo particularmente nos casos em que a pesquisa, tendo uma forte componente qualitativa, implica uma grande proximidade às pessoas investigadas, com quem construímos relações intersubjetivas e com quem partilhamos o quotidiano? Não há nem respostas definitivas, mas há hipóteses que se vão experimentando e em torno das quais vale a pena refletir. Assim, nesta comunicação entramos dentro destes três contextos de poder, discutindo estratégias e táticas de investigação, improvisos e arranjos locais, orientações e reconfigurações teóricas, becos sem saída e soluções possíveis. Tudo questões que colocaram perante as encruzilhadas com que as três pesquisas se foram cruzando: o problema do acesso e da permanência no campo; a construção de uma estratégia crítica perante os discursos que o poder formula sobre si próprio; a gestão de pressões e expectativas por parte de atores internos e externos; a necessidade de resistir ao fascínio e à sedução a que os campos do poder nos podem conduzir; a construção de relações de confiança com os atores do terreno; ou a exigência do sigilo. Conduzidos por estes problemas, irei refletir, por um lado, sobre a maleabilidade metodológica necessária à inserção em contextos de poder, e por outro lado, no que chamarei de dupla-função da teoria: primeiro como função de comando; depois como construção diária, provisória e quotidiana. ER -
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