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Almeida, P. (2018). Futebol, identidade nacional e os discursos da lusofonia. V Congresso de História e Desporto: Desporto & Cultura Popular.
P. S. Almeida, "Futebol, identidade nacional e os discursos da lusofonia", in V Congr.o de História e Desporto: Desporto & Cultura Popular, Coimbra, 2018
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TY - CPAPER TI - Futebol, identidade nacional e os discursos da lusofonia T2 - V Congresso de História e Desporto: Desporto & Cultura Popular AU - Almeida, P. PY - 2018 CY - Coimbra UR - http://congressodehistoriaedesporto.blogspot.com/ AB - As conceções dominantes edificadas em torno da portugalidade têm sido alicerçadas a partir de um discurso ancorado no passado colonial e que se traduz no seu carácter pretensamente universal e não-racista, afastando-se, assim, do das outras nações europeias que foram, outrora, potências imperiais. Esta narrativa faz parte de um processo mais vasto e hegemónico que enaltece e banaliza o colonialismo português. Como resultado, o espaço da denominada lusofonia, que ocupa um lugar relevante no imaginário nacional, tem sido construído a partir da herança colonial e da proliferação do lusotropicalismo, isto é, da tese do colonialismo ‘benevolente’, que teria servido para ‘unir povos e culturas’. Tendo por base estas premissas, a presente comunicação mostra em que medida os discursos produzidos por ocasião do falecimento de Eusébio da Silva Ferreira, quer pelos media quer por outros intervenientes direta e indiretamente envolvidos no futebol nacional, contribuíram não só para minimizar o passado colonial português, como também proporcionaram mais uma oportunidade para o celebrar. Desta forma, ao explorar o modo como essa exaltação ‘lusófona’ persiste na contemporaneidade, enquanto parte de uma postura acrítica acerca do próprio colonialismo português, pretende-se estimular o debate teórico em torno de um tema que não tem merecido particular atenção por parte da academia portuguesa especializada na área de estudos sobre desporto e sociedade. A qualidade excecional que Eusébio demonstrou dentro de campo tornou-o num dos maiores símbolos não só do desporto português, como do próprio país. Precisamente, a partir dos discursos construídos em torno da sua figura exploram-se as relações entre futebol, colonialismo, lusofonia e identidade nacional, evidenciando-se de que forma a celebração e glorificação da sua portugalidade resulta do profundo enraizamento da ideologia colonial. Não obstante as narrativas lusófonas advogarem a celebração e cooperação entre os países de língua portuguesa, defende-se que a matriz desses discursos assenta, em larga medida, na ‘apologia das caravelas’, ou seja, na reificação de uma ideologia que se encontra altamente encrustada na identidade nacional e que estabelece a ideia de um colonialismo ‘benfeitor’. Neste sentido, e de acordo com a linha teórica seguida nesta comunicação, os discursos comemorativos da lusofonia produzidos a partir do futebol têm vindo a reforçar as formações culturais do país colonizador e a invisibilizar os processos de violência, física e simbólica, sofridos pelos povos colonizados. ER -
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