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Vacha, A. (2023). Nguni: um gado, um povo. Persistências culturais na província de Gaza, Moçambique. O Gado no Mundo Lusófono: Perspectivas Históricas e Antropológicas, Seculos 19-21.
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A. Vacha,  "Nguni: um gado, um povo. Persistências culturais na província de Gaza, Moçambique.", in O Gado no Mundo Lusófono: Perspectivas Históricas e Antropológicas, Seculos 19-21., Lisboa, 2023
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TY  - CPAPER
TI  - Nguni: um gado, um povo. Persistências culturais na província de Gaza, Moçambique.
T2  - O Gado no Mundo Lusófono: Perspectivas Históricas e Antropológicas, Seculos 19-21.
AU  - Vacha, A.
PY  - 2023
CY  - Lisboa
UR  - https://ciuhct.org/agenda/oficina-virtual-o-gado-no-mundo-lusofono-perspectivas-historicas-e-antropologicas-seculos-19-21
AB  - O gado bovino- com o qual partilham o nome- foi sempre fulcral entre os nguni de Gaza, desde que Soshangane-Manikusse (fundador do Reino de Gaza) ocupou o interior meridional-central de Moçambique (1821) em consequências do Mfecane (grande migração forçada, 1818). 
Autóctone africana, considerada uma das raças bovinas mais adaptáveis e resistentes, era fundamental para a economia, para a alimentação do numeroso exército e para a produção de vestuários e armas, como o escudo de guerra característico ainda hoje das áreas de influência nguni. 
As manadas pilhadas simbolizavam a submissão dos povos vencidos, as alianças e as redistribuições de poder entre clãs. O boi desempenhava um papel central nos rituais de passagem ao longo da vida: nas cerimónias de iniciação dos guerreiros, no pagamento das esposas (lobolo), nos enterros e na evocação dos espíritos dos antepassados. 
Tradicionalmente, os monarcas tomavam conta das suas próprias manadas, como representado nos baixo-relevos do caixão funerário do último soberano Ngunguhhane, esculpido por Paulo Come (1985). A partir do último quarto do século XIX, acontecimentos traumáticos, como a queda do reino nguni (1895) e a revolta de Maguiguana (1897) provocada principalmente por um contencioso sobre o gado entre governo colonial e chefaturas locais, causaram profundas mudanças sociais. Em Gaza, ao longo do seculo XX, alternaram-se culturas forçadas, migrações e guerras. Todavia a centralidade do gado manteve-se. 
Hoje, Gaza é a província moçambicana com a maior criação bovina (cerca de meio milhão de cabeças) e o gado continua a ser muito representativo do prestígio social. Tendo como referência os estudos históricos e etnográficos de Gerhard Liesegang e de Rita Ferreira, tencionamos analisar as (des) continuidades nas práticas culturais ligadas ao gado bovino entre os seculos XIX e XXI na província de Gaza, individuando os casos de técnicas agropecuárias ou zoo-profiláticas hodiernas que remontam à época dos nguni. 

ER  -