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Suleman, F., Lagoa, S. & Suleman, A. (2023). Políticas salariais das empresas em Portugal nas últimas décadas: Forças institucionais ou forças do mercado?. 6º Encontro Anual de Economia Política.
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F. Suleman et al.,  "Políticas salariais das empresas em Portugal nas últimas décadas: Forças institucionais ou forças do mercado?", in 6º Encontro Anual de Economia Política, Vila Real, 2023
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TY  - CPAPER
TI  - Políticas salariais das empresas em Portugal nas últimas décadas: Forças institucionais ou forças do mercado?
T2  - 6º Encontro Anual de Economia Política
AU  - Suleman, F.
AU  - Lagoa, S.
AU  - Suleman, A.
PY  - 2023
CY  - Vila Real
UR  - https://www.economiapolitica.pt/6ecpol
AB  - Os salários e o emprego são sujeitos a regulação por entidades nacionais e internacionais (Berg, 2015) com o objetivo de promover o bem-estar social e a equidade, influenciando assim os graus de liberdade das empresas. A ideia de que as empresas tendem a adotar práticas salariais que privilegiam a influência do mercado de trabalho é amplamente discutida na literatura. As evoluções mais recentes apontam para mudanças que destacam a erosão do modelo de mercados internos de trabalho (MIT), a qual se traduz na emergência das forças de mercado como determinantes essenciais das remunerações nas empresas (Bidwell et al., 2013). 
Deste modo, a relevância das regras salariais associadas ao modelo de MIT, o qual enfatiza a equidade interna e a hierarquia salarial como fatores para manter a justiça dentro da organização, tendem a perder importância. Em contraste, a literatura sugere que as empresas suportam cada vez mais a sua política em inquéritos salariais para se posicionarem favoravelmente no mercado e atrair as competências de que necessitam (Osterman e Burton, 2006). Adicionalmente, a dispersão salarial dentro da organização tornou-se uma regra frequente para reconhecer os trabalhadores de alta performance. Todavia, não existe evidência empírica suficiente que ilustre que todas que as empresas estejam a avançar na mesma direção (Osterman e Burton, 2006). Além disso, as empresas respondem lentamente às pressões do mercado (Davis et al., 2009).
No seguimento do trabalho de Suleman et al. (2019), esta pesquisa utiliza os dados dos Quadros de Pessoal de 1999, 2009 e 2017 para analisar se as empresas de grande dimensão em Portugal estão a seguir uma tendência que valoriza as forças do mercado e quais as práticas salariais que utilizam para incorporar essas pressões na sua política salarial. Para tal, são analisadas 15 regras para caracterizar as políticas salariais ao nível da empresa, designadamente a correlação entre hierarquia salarial e emprego e correlação entre antiguidade e salário para analisar a presença de MIT. A relevância do mercado é estudada a partir da posição salarial da empresa face ao salário praticado na indústria e do ajustamento dos salários às condições do mercado de trabalho (elasticidade do salário ao desemprego). Finalmente, a remuneração relacionada com a performance pressupõe analisar a dispersão salarial, a dispersão do crescimento do salário e as componentes salariais adicionadas à remuneração base (almofada salarial).
Os resultados preliminares indicam, por um lado, uma estabilidade de certas práticas salariais e, por outo lado, uma evolução no sentido da diferenciação individual. As práticas relacionadas com os mercados internos de trabalho continuam a ser utilizadas pelas empresas nos anos em análise. Quer isto dizer que as regras coletivas de determinação dos salários mantêm-se e as empresas tendem a ligar a hierarquia profissional à hierarquia salarial. Além disso, o crescimento dos salários com a antiguidade continua a ser evidente nas políticas salariais das empresas da amostra em Portugal. Todavia, verifica-se um ligeiro crescimento da dispersão salarial e uma aproximação entre os salários dos trabalhadores mais novos e comparativamente aos mais antigos o que sugere algum afastamento do modelo de MIT. 
As alterações mais ilustrativas prendem-se com a resposta dos salários às condições de mercado. Os dados mostram que os salários respondem cada vez mais às pressões do mercado, como evidencia o valor mais negativo da elasticidade dos salários à taxa de desemprego. Por outro lado, as empresas reforçaram o papel das regras relativas à individualização dos salários. Por exemplo, a almofada salarial e a concentração do crescimento dos salários numa pequena percentagem de trabalhadores mostram uma tendência crescente considerável. Esta evidência empírica é reforçada pelo crescimento do coeficiente de Gini que informa sobre o aumento da desigualdade dentro das empresas.
Podemos concluir, a partir destes resultados preliminares, que se assiste a uma evolução de políticas salariais das empresas em Portugal, mas essa evolução não é abrupta. As regras coletivas permanecem consistentes ao longo do tempo, o que sugere que as empresas são cautelosas relativamente à individualização dos salários. Todavia, tendem a reforçar as componentes desta última, indicando que existe uma preocupação em diferenciar os trabalhadores e incentivar o esforço. As pressões do mercado parecem ter ganho importância em detrimento das pressões internas da organização.

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