A quem cabem as mais recentes alterações na frente do Tejo?
Event Title
Territórios Metropolitanos Contemporâneos: seminários temáticos programa de doutoramento arquitectura dos territórios metropolitanos contemporâneos
Year (definitive publication)
2018
Language
Portuguese
Country
Portugal
More Information
--
Abstract
Após o evento da Exposição Internacional de Lisboa – EXPO 98, foram vários os planos e estudos desenvolvidos para a frente ribeirinha. É sobre essa massa reflexiva de sucessivas propostas que se têm operado as mais recentes transformações dos territórios à beira-rio. Complementadas com as intervenções de iniciativa corporativa. Nestes planos toma-se consciência da vontade das gentes de Lisboa em reconciliarem-se com o seu rio, desejando ultrapassar as barreiras que as afastam das suas margens. Até então, esse era o resultado de uma gestão do território que era exclusiva do Porto de Lisboa e sua actividade.
Mas nota-se, também, uma certa dessintonia entre os principais promotores destes planos - Porto de Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa e diferentes organismos estatais – que os faz revelar alguma falta de integridade e paternidade governamental. Ao Porto de Lisboa cabia olhar a reconfiguração do território por ele gerido, através de uma perspectiva da actividade portuária, reorganizando os sectores existentes (carga contentorizada, passageiros) e abrindo o espectro a actividades até então residuais (náutica de lazer e recreação). O Estado, embriagado pelo sucesso da experiência da EXPO 98, inclusive na requalificação urbanística daí resultante para a zona oriental da cidade, reconhecia aos portugueses esse desejo pueril de regresso ao mar do grande povo descobridor. E isso também passava pela requalificação das margens litorais, fossem em território urbano, fossem em meio rural. Em Lisboa, em função da sua capitalidade, existe ainda a circunstância de inúmeros edifícios (muitos deles na frente ribeirinha, muitos deles históricos) estarem afectos a ministérios e outros organismos do Estado, e, portanto, desvinculados de uma leitura municipal. Esse aspecto concorreu para uma certa secundarização, mas também alienação, por parte da câmara municipal. A essa circunstância acrescia o facto de a jurisdição da margem da cidade ter permanecido durante largos anos no Porto de Lisboa. A sua administração tentou acompanhar as transformações (operativas, de modernização e reconfiguração do território) que se iam dando nas principais cidades portuárias. Tomando a iniciativa encomendou planos ambiciosos para a frente-rio que não foram bem acolhidos pela sociedade civil.
Contudo, os primeiros anos do Séc. XXI, alterariam por completo este quadro. Querendo o Governo e encontrado o caminho legislativo para alterar a responsabilidade da gestão dos territórios portuários, procedeu-se à desafectação de parte significativa destas áreas do domínio público marítimo. Era, finalmente, possível concretizar no terreno o que se havia desejado no papel. E assim, assumindo finalmente a defesa da sua própria iniciativa, o XVII Governo Constitucional, através de sociedades-veículo, empenhou-se na persecução deste objectivo. Contava para isso com a motivação da proximidade das celebrações do Centenário da República e com o conhecimento e desejo da população. Para assinalar o êxito da iniciativa era necessário integrar nos estudos obras-âncora que fossem representações simbólicas dos programas das intervenções. É neste quadro que é traçada a intriga do novo Museu dos Coches.
Acknowledgements
--
Keywords
Frente Tejo,Parque EXPO,Porto de Lisboa,Museu dos Coches
Português