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Efeitos da categorização: os percursos escolares segundo a nacionalidade do aluno ou a sua origem nacional
Adriana Albuquerque (Albuquerque, Adriana); Teresa Seabra (Seabra, T.); Ana Filipa Cândido (Cândido, Ana Filipa.); Inês Tavares (Tavares, I.);
Event Title
XIII Congresso Português de Sociologia
Year (definitive publication)
2025
Language
Portuguese
Country
Portugal
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Abstract
A literatura científica acerca da imigração tende a empregar uma abordagem que acentua excessivamente as narrativas “baseadas em problemas” sobre os migrantes nas sociedades de acolhimento. Isto estende-se aos estudos sobre imigração e educação, sendo os estudantes imigrantes objeto de investigação, na medida em que a sua integração escolar e os seus resultados parecem estar a falhar. De facto, a investigação sugere que os estudantes de origem imigrante tendem a ser sobre encaminhados para vias profissionalizantes, a repetir mais anos de escolaridade e a obter resultados mais baixos em testes normalizados do que os seus pares não imigrantes de origens sociais semelhantes. Consideramos que estas análises padecem de tratamento mais aprofundado, tendo em conta, por um lado, os processos de categorização em uso e, por outro, as origens nacionais específicas que integram a categoria de imigrantes ou de estrangeiros. Em Portugal, os dados oficiais anuais sobre alunos de origem imigrante, publicados pela DGEEC/MEC, referem-se especifica e unicamente ao estatuto de nacionalidade do aluno. Considerando as políticas relativamente favoráveis de naturalização dos imigrantes em Portugal, estes dados subestimam os alunos com origem na imigração, nomeadamente ocultando os de origem imigrante que têm nacionalidade portuguesa ou aqueles que adquiriram a nacionalidade do país de acolhimento (filhos de imigrantes). Consequentemente, dificulta a análise da integração educativa a longo prazo destes alunos, assim como a comparação das desigualdades nas oportunidades educativas para os imigrantes e os seus filhos, relativamente aos seus pares autóctones. Quando se analisa os trajetos escolares, será muito diferente considerarmos os resultados dos alunos estrangeiros ou os dos alunos com origem imigrante (quando algum dos seus progenitores tem naturalidade num país estrangeiro)? A leitura da integração dos alunos com este perfil – os que nos chegam de outros países – será alterada? O que podemos descobrir ao ter em conta as diferenças internas existentes, separando o estatuto geracional (1ª ou 2ª geração), o tipo de ascendência (única ou mista) e os países de origem? Propomos-nos a responder a estas questões com base na análise de microdados administrativos dos alunos matriculados em escolas públicas portuguesas em 2019/20, disponibilizados pelo Ministério da Educação. Os resultados preliminares revelam diferenças anteriormente desconhecidas no desempenho académico dos alunos de origem imigrante em Portugal: (i) considerar a nacionalidade do aluno subestima, e muito, a representação dos alunos de origem imigrante; (ii) os alunos de segunda geração apresentam frequentemente percursos académicos comparáveis ou superiores ao dos seus pares autóctones; (iii) os alunos de origem mista, especialmente os que têm um progenitor nativo, apresentam uma vantagem significativa no desempenho académico.
Acknowledgements
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Keywords