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Descrição Detalhada da Comunicação
No meu arquivo ninguém entra: dilemas éticos de um antropólogo no parlamento
Título Evento
VII Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia
Ano (publicação definitiva)
2019
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
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Abstract/Resumo
A etnografia é a mais aprofundada metodologia para conhecer o mundo das instituições políticas. Ela permite ir além das autorrepresentações institucionais, das lógicas de mediatização e das narrativas da ciência política mainstream. Nos últimos anos tenho realizado uma etnografia da Assembleia da República, procurando compreender o seu funcionamento a partir de dentro, isto é, das dinâmicas interacionais e quotidianas entre os agentes. Mas esta tem sido uma pesquisa cheia de dilemas. A impossibilidade de garantir um acesso permanente e formal à instituição só pôde ser contrariada com o estabelecimento de relações de confiança com pessoas cujo trabalho acompanhei ou com quem tive a oportunidade de conversar. Relações, essas, que implicaram a garantia do seu anonimato. Apesar dessa escolha ter permitido diálogos muitos mais honestos, ela refletiu-se na feitura do arquivo etnográfico, que teve de assentar numa complexa divisão entre o que pode e não pode ser partilhado – e como. A ética de um acesso aberto ao arquivo colocaria em causa a ética das relações humanas estabelecidas no terreno. A etnografia, para além de uma alternativa metodológica e teórica, revelou-se igualmente um dispositivo de resistência a políticas científicas que, pensadas fora do contexto, podem colocar em causa a própria prática antropológica.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
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