Comunicação em evento científico
Uma mulher militante: o processo de adesão à ação militante sindical de Lurdes Domingues
Paulo Alves (Marques Alves, P.);
Título Evento
Woman XXI – Conferência Internacional sobre a Mulher
Ano (publicação definitiva)
2024
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
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Abstract/Resumo
Esta comunicação tem por base uma investigação com a qual se procurou compreender como é que uma mulher nascida no norte, oriunda de uma família despolitizada, se tornou militante sindical e participou ativamente nas atividades de um sindicato do sector social. Deste modo, a investigação centrou-se no processo que conduziu à sua adesão à ação militante. Uma abordagem deste tipo implicou a tomada em consideração da variável tempo, um tempo que se divide em dois momentos: o primeiro, é o das trajetórias a montante da adesão; o segundo, é o da adesão em si, envolvendo as circunstâncias em que ocorreu. Concluiu-se que o processo de adesão à ação militante é um processo social, pelo que são de rejeitar, entre outras, as explicações de carácter psicológico ou psicologizante baseadas na personalidade, na ideia da existência de um ajustamento psicológico ou atitudinal com o movimento (“union commitment”) ou em atributos psicológicos como a frustração ou a alienação. A estas conceções, contrapõe-se um outro modelo. Se bem que a existência de uma socialização militante primária e secundária possa potenciar uma identificação com o mundo sindical e com um projeto sindical concreto, bem como uma orientação para a ação militante, vista como necessária e legítima e que implica um investimento que envolve esforço e empenhamento, ela não constitui o único fator. No caso de Lurdes Domingues, essa socialização não existia. Deste modo, para que a passagem à ação militante se dê, é fundamental que existam determinados fatores estruturais. Em última instância, é a estrutura das relações de e no trabalho que explica a adesão – ou não – à ação militante. Foi o que sucedeu com esta militante. As mobilizações, quer por ocasião de um acontecimento histórico (por exemplo, o 25 de Abril), quer de um conflito de trabalho, quer ainda em torno de problemas relativos às condições de trabalho que urge resolver e que leva o coletivo de trabalhadores a considerar a necessidade de criação de organização sindical na empresa e a incentivar quem consideram poder representá-los, originam um contexto propício à adesão à ação militante. Do mesmo modo que a presença quotidiana e a irradiação de um grupo sindical nos locais de trabalho é um elemento decisivo para a adesão de novos trabalhadores a este tipo específico de ação coletiva. A pesquisa seguiu uma estratégia de tipo compreensivo. Nesse quadro, utilizou-se a “abordagem biográfica” Bertaux (1980, que tem subjacente a ideia de não ser somente mais uma técnica de observação, antes se tratando de construir uma nova abordagem sociológica. A ótica é essencialmente antipositivista, mas também uma forma de evitar a ideologia biográfica que Bertaux descortina na Escola de Chicago. Neste sentido, defende-se que se deve considerar as narrativas de vida não como histórias de uma “vida”, mas como “récits de pratiques”, o que significa que o objeto de estudo não é a “vida”, mas antes as trajetórias, as práticas, os projetos dos indivíduos, que são simultaneamente produto e produtores de história.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave