O que bebemos e quem cozinha: a classe social também se senta à mesa
Os profissionais intelectuais e culturais são quem mais gasta em vinho e bebidas destiladas, a cerveja pesa mais nas famílias com menor capacidade económica e a cozinha continua a ser um espaço sobretudo feminino. As conclusões são de Vasco Ramos, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, cujo estudo sobre classe social e consumo venceu o Prémio João Ferreira de Almeida 2025, atribuído pelo Iscte e pela Associação Portuguesa de Sociologia, na categoria de artigo científico.
No Dia Mundial da Alimentação, que se assinala a 16 de outubro, estes dados lembram que comer não é apenas uma questão de acesso aos alimentos, mas também de quem os escolhe, os paga e os prepara.
Publicado em 2023 no Journal of Consumer Culture, o artigo premiado analisa a despesa das famílias portuguesas com base no Inquérito às Despesas das Famílias do INE. “A proporção de gastos por tipo de bebida reforça distinções sociais”, afirma Vasco Ramos.
O estudo identifica também diferenças de género: “O consumo de álcool é mais elevado entre os homens e mais moderado nas mulheres, reforçando a associação entre masculinidade e práticas de consumo de álcool mais intensas”, sublinha o sociólogo.
Numa investigação posterior, Vasco Ramos analisa quem cozinha em Portugal, concluindo que este espaço continua a ser predominantemente feminino, mesmo entre as gerações mais jovens. Os homens participam na preparação do almoço em apenas 18% dos casos e do jantar em 19%. “Um dado interessante é que o envolvimento masculino é maior em famílias com filhos pequenos ou adolescentes, situando-se entre 23% e 28%”, nota Vasco Ramos.
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