É com particular gosto que o Iscte se associa à celebração do centenário do nascimento de Alberto Pereira da Cruz (1920-1990), arquiteto Português responsável por uma vasta obra, projetada e construída em Portugal e no estrangeiro. O dia 12 de Novembro de 2020, o data do seu nascimento, foi escolhida pelo Iscte-iul para anunciar publicamente o lançamento de um projeto de investigação coordenado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte) em parceria com o Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD) da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (FAUL), o Centro de Estudos de História Religiosa - CEHR-UCP, da universidade Católica Portuguesa, a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), a Fundação Abel de Lacerda, e o Museu do Caramulo.
Alberto Cruz nasceu a 12 de novembro de 1920 no Bairro da Cedofeita no Porto, cidade onde frequentou e concluiu em 1943 o curso superior de Arquitetura da Escola de Belas-Artes e, dois anos mais tarde, o diploma de arquiteto. No concurso para obtenção do diploma de arquiteto (CODA), a prova final do curso de arquitetura das escolas de belas artes de Lisboa e Porto, desenvolveu o projeto de uma habitação unifamiliar em Cascais para uma filha de Fausto Figueiredo (1880-1950) iniciando aí a colaboração frutuosa com o grande impulsionador da obra de transformação d a Vila de Cascais, o maior e mais infraestruturado complexo turístico do primeiro quartel do século XX em Portugal. Durante os anos de 1943 a 1945 colabora com o arquiteto Adelino Gomes (1903-1948) um autor que merecera, no contexto deste projeto especial atenção.
Será em Cascais, o lugar onde deixou, porventura, a sua maior marca, assinando projetos tão emblemáticos quanto o Hotel Bahia, o Hotel cidadela, a ampliação e transformação das arcadas do Estoril, a ampliação do hotel palácio, os apartamentos da Gandarinha entre tantas outras obras que aqui não poderíamos enumerar. Em 1944 Alberto Cruz ingressou na direção dos monumentos e Edifícios Nacionais, sendo nomeado arquiteto do quadro permanente em 1947, atividade que compassava com o exercício da arquitetura a partir do seu atelier na Rua Vitor Cordon em Lisboa.
Alberto Cruz era dez anos mais novo do que Francisco Keil do Amaral (1910-1975) com quem viria a projetar em 1957 a Feira das Indústrias de Lisboa. A influencia de Keil do Amaral no seu trabalho, hipótese que associamos a esta investigação, estender-se-á a outras obras assinadas por si, relevando-se de entre outras os projetos para os mercados de Carcavelos e de Cascais.
O nome de Alberto Cruz tem permanecido à margem da historiografia contemporânea Portuguesa, pese embora a atenção e cuidado que o Arquiteto Jose Manuel Fernandes lhe dedicou, visitando já após a sua morte o atelier da Rua Victor Cordon visando a construção de um primeiro artigo de fundo sobre a obra de Alberto Cruz, publicado na revista Monumentos no ano de 2004.
o Iscte assumiu a responsabilidade de assinalar e celerar o centenário do seu nascimento, coordenando um consorcio de investigação envolvendo varias universidades e Instituições Portuguesas, em torno de quatro objetivos: (i) o acolhimento nas instalações do Iscte-iul do espólio de Alberto Cruz bem como a coordenação da sua inventariação, descrição e digitalização; (ii) a organização de um colóquio internacional que reunirá e discutirá o contributo de vários especialistas em torno da relevância da sua obra; (iii) a realização de uma exposição construída a partir do espolio do autor que integrará maquetas dos edifícios fundamentais da sua obra bem como a apresentação de desenhos originais do seu arquivo, selecionados de entre os cerca de 500 projetos já listados; (iv) a edição e publicação de uma monografia, o, associada à exposição que se constitua como um guia a partir do qual se disponibilizará à comunidade da investigação, nas mais diversas áreas do saber, o legado do trabalho de um autor maior da arquitetura portuguesa.
O livro Alberto Cruz: arquitetura, tradição e modernidade desenvolve uma abordagem multidisciplinar e documental centrada na revalorização crítica da obra de Alberto Pereira da Cruz no contexto da arquitetura portuguesa do século XX. Combina investigação histórica, análise arquitetónica e estudo de arquivo, articulando três dimensões fundamentais:
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Sistematização do espólio e reconstrução do percurso profissional
A investigação parte da organização e leitura do arquivo do arquiteto — desenhos, correspondência, fotografias e documentos técnicos — permitindo reconstruir cronologicamente o seu percurso e identificar os principais momentos de afirmação, colaboração e experimentação projetual. -
Interpretação crítica da obra no quadro da modernidade portuguesa
O livro analisa a produção arquitetónica de Cruz através de temas estruturantes como tradição construtiva, modernização turística, cultura arquitetónica do pós‑guerra e práticas de projeto ligadas aos organismos oficiais. Esta leitura procura evidenciar a singularidade do seu contributo e a forma como este dialoga com correntes nacionais e internacionais da época. -
Articulação entre arquitetura, cidade e paisagem
A abordagem dá especial atenção aos projetos realizados em Cascais e ao modo como Cruz integrou questões de urbanidade, contexto territorial e identidade local, oferecendo uma perspetiva que ultrapassa a análise formal e se estende às dimensões urbana, económica e cultural. -
Reposicionamento historiográfico
O livro procura superar a marginalização do arquiteto na historiografia recente, apresentando nova documentação, interpretações renovadas e problematizações críticas que contribuem para reintegrar a sua obra no debate contemporâneo sobre modernidade, património e cultura arquitetónica.
| Centro de Investigação | Grupo de Investigação | Papel no Projeto | Data de Início | Data de Fim |
|---|---|---|---|---|
| CIES-Iscte | -- | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Instituição | País | Papel no Projeto | Data de Início | Data de Fim |
|---|---|---|---|---|
| Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design, Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (CIAUD-FAUL) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo-Universidade do Porto (CEAU-FAUP) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Centro de Estudos de História Religiosa - Universidade Católica Portuguesa (CEHR-UCP) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Direção Geral do Património Cultural (DGPC) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Fundação Abel de Lacerda (Fundação Abel de Lacerda) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Museu do Caramulo (Museu do Caramulo) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Camara Municipal de Cascais (CMC) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Arquivo Histórico Municipal de Cascais (Arquivo Histórico Municipal de Cascais) | Portugal | Parceiro | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Nome | Afiliação | Papel no Projeto | Data de Início | Data de Fim |
|---|---|---|---|---|
| Bernardo Pizarro Miranda | Professor Auxiliar (DAU); Investigador Integrado (CIES-Iscte); | Coordenador Global | 2020-11-12 | 2022-11-12 |
| Sandra Samina | Assistente de Investigação (CIES-Iscte); | Assistente de Investigação | 2021-11-03 | 2022-11-12 |
| Susana Rego | Assistente de Investigação (CIES-Iscte); | Assistente de Investigação | 2021-11-03 | 2022-11-12 |
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