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Almeida, Maria Antónia (2020). Políticas públicas para o interior e as novas paisagens rurais. Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal.
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M. A. Almeida,  "Políticas públicas para o interior e as novas paisagens rurais", in Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, Lisboa, 2020
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TY  - CPAPER
TI  - Políticas públicas para o interior e as novas paisagens rurais
T2  - Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal
AU  - Almeida, Maria Antónia
PY  - 2020
CY  - Lisboa
UR  - https://www.encontrociencia.pt/
AB  - Fruto de um movimento demográfico em direção às cidades do litoral e ao estrangeiro iniciado com maior intensidade nos anos sessenta do século XX, o despovoamento rural tomou conta da paisagem do interior de Portugal, dando origem a fenómenos com consequências gravíssimas para a população que ainda resiste a viver longe dos grandes centros e que se encontra desligada da atividade agrícola. 
Nos territórios do interior, o contexto da globalização e da Revolução Verde introduziu um novo tipo de agricultura em Portugal baseada na concentração fundiária em muito maior escala que o tradicional latifúndio, onde se aplica a monocultura intensiva ou superintensiva, especialmente de olival e frutos vermelhos, com utilização excessiva de mecanização e químicos, baseada em mão de obra precária, sazonal e, na maior parte dos casos, estrangeira com situação irregular no país, e que esgota a água de barragens que durante décadas alimentaram regadios perfeitamente sustentáveis. Esta situação é incompatível com os programas de coesão territorial apresentados pelo governo, com os planos de atração dos municípios (Almeida, 2017, Almeida, 2018) e com a legislação construída nas últimas décadas de regime democrático. 
Ultrapassados os argumentos da autossuficiência alimentar, com a Política Agrícola Comum e especialmente na última década Portugal assumiu um papel de produtor de commodities, enquadrando-se na tendência do neoextravitismo praticado nos países da América do Sul e da África (Svampa, 2019, Aráoz, 2013). Apresentam-se alguns exemplos desta realidade que domina a nova paisagem do Alentejo, uma região a saque por parte de grupos económicos das indústrias agroalimentares, com implicações na sua sustentabilidade (Clapp & Fuchs, 2009).
Atualmente, com anos de seca repetidos, a gestão da água tornou-se um dos principais problemas do planeta, e as questões ambientais e da qualidade de vida das populações deveriam estar na linha da frente das preocupações políticas. Temos assim um dilema de sustentabilidade social e ambiental que urge debater.

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