Comunicação em evento científico
A participação das mulheres nos órgãos dirigentes das organizações sindicais numa perspetiva longitudinal: o caso dos sindicatos de professores
Paulo Alves (Marques Alves, P.); Maria do Carmo Botelho (Botelho, M.C.);
Título Evento
Mulheres, Mundos do Trabalho e Cidadania. Diferentes Olhares, Outras Perspetivas.
Ano
2018
Língua
Português
País
Portugal
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Abstract/Resumo
O sindicalismo nasceu andro-centrado e revelando uma atitude sexista em relação ao papel da mulher na sociedade, em particular no atinente à sua inserção no mercado de trabalho e nos sindicatos. Segundo Pasture (1997), isso deveu-se a uma contaminação do movimento operário pela cultura burguesa e respetiva representação da sociedade e dos papéis que nela deveriam ser desempenhados por homens e mulheres.Esta atitude em breve se tornou dominante, ao ser transversal a correntes sindicais tão díspares quanto as influenciadas por Proudhon, pelo catolicismo ou pelos esposos Webb, a ela só tendo escapado a corrente de filiação marxista que, fundando-se nos princípios da igualdade e da emancipação, defendeu sempre o direito das mulheres ao trabalho assalariado, ao mesmo tempo que sustentava que este não era um grupo homogéneo, existindo no seu seio interesses diferenciados.Ao tornar-se dominante, a atitude sexista acabou por orientar durante um longo período as estratégias sindicais face às mulheres. Com base nela visou-se excluí-las ou segregá-las no mercado de trabalho. Quanto muito, aceitava-se o trabalho feminino como transitório enquanto se tentava confiná-lo a determinados ramos de atividade com salários mais baixos. Se bem que no Reino Unido se tivessem constituído associações mistas no início da industrialização e da organização dos trabalhadores, os atos de discriminação acabaram por levar as mulheres a formar sindicatos próprios. É o que Briskin (1998) designa por “estratégia de separatismo”, significando uma recusa em trabalhar com os homens com a consequente constituição de organizações próprias. Vários sindicatos femininos surgiram então no Reino Unido, permanecendo ativos até à Iª Guerra Mundial ou mesmo depois. Organizações exclusivamente femininas foram igualmente constituídas em Portugal, em França, quer na CGT sindicalista-revolucionária, ainda que de curta duração,quer na católica CFTC, tendo estas perdurado até à ocupação nazi. Outras experiências mantiveram-se até muito recentemente, como sucedeu com o KAD dinamarquês, fundado em 1901 e que só foi extinto em 2004. Nos últimos decénios, o acréscimo em termos absolutos e relativos das mulheres no mercado de trabalho e, consequentemente, nos efetivos sindicais não se traduziu num progresso correspondente no número de mulheres nos lugares de decisão, com os sindicatos a providenciarem muito raramente uma sua representação adequada (Cook et al., 1992; Curtin, 1997; Garcia, 1993, 1999; Garcia et al., 2003; Trebilcock, 1991; Alves, 2017; Alves e Botelho, 2017).Para Le Quentrec et al., (1999), esta é uma situação socialmente construída, enquanto para Healy e Kirton a explicação reside nos sindicatos, que constituirão “oligarquias masculinas”(Healy e Kirton, 2000). Por seu lado, Chaison e Andiappan (1987) sustentam que foia divisão sexual do trabalho que conduziu a uma segregação que restringiu a visibilidade e a influência das mulheres no movimento sindical. Esta comunicação tem por objetivo contribuir para o estudo desta temática. Na sua base encontra-se uma análise documental das fichas biográficas das equipas dirigentes dos sindicatos de professores. A análise tem um carácter longitudinal, concluindo-se que apesar dos avanços verificados, a sub-representação permanece nestas organizações, as quais representam trabalhadores de uma profissão altamente feminizada.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
  • Sociologia - Ciências Sociais