Comunicação em evento científico
Afinal o que sabemos sobre os novíssimos movimentos sociais em Portugal?
João Mineiro (Mineiro, João.); André Santos Pereira (Pereira, A. S.); Gustavo Cardoso (Cardoso, G.);
Título Evento
VIII Congresso Português de Sociologia - Associação Portuguesa de Sociologia
Ano
2014
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
Abstract/Resumo
Dia 23 de Janeiro de 2011, num Coliseu do Porto esgotado, o grupo musical Deolinda apresentava um tema inédito, “Parva que Sou”, suscitando um debate público sobre a precariedade, o emprego e a emancipação da juventude no início do século XXI em Portugal. O vídeo colocado no Youtube rapidamente percorreu o facebook em milhares de partilhas, chegou às notícias de toda a imprensa nacional, servindo de mote para, até aquela data, o maior protesto de rua desde o 1º de Maio de 1974. A 12 Março desse ano, cerca de dois meses depois da ocupação da praça Tahrir, materializava-se a “Geração à Rasca” e inaugurava-se um novo ciclo de protesto que se desenvolveu até às recentes manifestações do “Que se lixe a Troika”. O panorama português de protestos enquadra-se numa lógica mais vasta, pois desde o início da presente década que assistimos a uma nova vaga de mobilizações sociais que se manifestam em diferentes geografias e culturas. Essas manifestações têm tido elevada atenção jornalistica, pois representam acontecimentos que colocam em causa a rotina da mediação (Silverstone 2007), mas também a atenção das instituições políticas e económicas, alvos prioritários dos protestos. A génese e as modalidades de ação destes movimentos dão-nos pistas para que possamos classificá-los como portadores de diferenças face aos seus antecessores históricos. Mas o que há de diferente nestas mobilizações? Que aspetos particulares mais relevantes convocam a curiosidade sociológica? Haverá uma rutura entre novas e velhas formas de militância? Estarão as conceptualizações de Touraine (2006) ou de Boltanski e Chiapello (2001) ultrapassadas? Terá Wieviorka (2012) razão ao sugerir que estes movimentos abandonaram ideologias, categorias, reacções militantes e métodos de outras eras e que lutam pela adopção de uma nova cultura de acção quer por parte dos partidos quer por parte dos intelectuais? Têm estes movimentos como base de ação lógicas de identificação entre os seus atores e/ou mecanismos de reconhecimento de identidades coletivas? Que papel têm os média na convocação, estruturação e organização de identidade destes protestos? Esta comunicação procura delinear uma primeira abordagem de resposta a estas questões, bem como a construção de novas hipóteses de trabalho. Procuramos explicitar os alicerces destas mobilizações partindo da sua base conceptual, destacando o papel das redes sociais na construção dos grupos que as fundamentam e, posteriormente, massificam. Desenvolveremos também a capacidade de articulação das problemáticas centrais da estruturação dos novos movimentos sociais, nomeadamente a relação orgânica/inorgânica desta proposta, os grupos estratégicos que os legitimam, as reivindicações, a relação com o poder, o sistema político e económico, os protagonistas, trajetórias de vida e redes de polienvolvimento, destacando também a relação entre as novas e velhas formas de militância da sociedade portuguesa.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave