Comunicação em evento científico
As mulheres trabalhadoras em Portugal (1890-1970): as representações sobre o trabalho remunerado e o trabalho não remunerado numa perspetiva feminista
Virgínia Baptista (Baptista, V.); Paulo Alves (Marques Alves, P.);
Título Evento
XIV Jornadas Nacionales de Historia de las Mujeres y IX Congreso Iberoamericano de Estudios de Género – Intersecciones, Feminismos, Teorias y Debates Politicos
Ano (publicação definitiva)
2019
Língua
Português
País
Argentina
Mais Informação
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Abstract/Resumo
Esta apresentação aborda o estudo das mulheres trabalhadoras em Portugal, entre finais do século XIX, no ocaso da monarquia liberal e a década de 70, do século XX, no regime ditatorial (que devido à esperança na amenização política ficou conhecido por “Primavera Marcelista” (a revolução que impôs a democracia deu-se em 25 de Abril de 1974). Baseámos a nossa pesquisa em fontes primárias, nos Recenseamentos Gerais da População, elaborados decenalmente. Pretendemos averiguar relativamente aos números encontrados, nas fontes, se os mesmos correspondem ao trabalho efetivo das mulheres ou se houve sub-representação ou invisibilidade do trabalho feminino. Colocámos como problematização central averiguar se o trabalho exercido na esfera familiar era remunerado, ou este trabalho realizado nesta esfera integrava o salário familiar, do “chefe de família” masculino. Este estudo parte de uma visão feminista, de género, porque pretende compreender como a sociedade patriarcal, ao longo de 70 anos, perspetivou e representou política e socialmente o trabalho das mulheres. Através da legislação da época, o Código Civil que vigorou durante um século, de 1867 a 1966, as mulheres eram menorizadas, principalmente as casadas, que ficavam dependentes do chefe de família masculino e desvalorizadas na vida familiar, política e no mercado de trabalho, como se verá na análise dos dados dos Recenseamentos (Código Civil, 1968). Contudo, como as historiadoras Michelle Perrot (Perrot, 1987, p. 140) e Sylvie Schweitzer (Schweitzer, 2012) afirmaram as mulheres sempre trabalharam. O conceito de género como “organização social das relações entre os sexos”, apresentado pela socióloga Joan Scott, tornou-se fundamental por permitir ampliar a visão da própria História, por evidenciar a relação de poder entre os sexos, logo questionar, revisitar e reformular a perspetiva tradicional sobre o mundo do trabalho (Scott, 1989). Através de uma visão feminista, demonstraremos como o trabalho feminino pôde ser ocultado ou visibilizado, segundo as conveniências da sociedade capitalista, patriarcal e machista. Neste trabalho pretendemos conhecer as taxas das mulheres ativas, no período em estudo, em Portugal, desmontando a tradicional análise socioeconómica, a partir da análise do olhar masculino. Para este objetivo, em primeiro lugar, efetuaremos uma crítica hermenêutica às fontes, nomeadamente às nomenclaturas socioprofissionais e aos conceitos expressos nas épocas, não esquecendo que houve uma evolução dos conceitos como “profissão”, “população ativa”, “trabalho produtivo e remunerado” e “trabalho individual e familiar”.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
Trabalho remunerado e não remunerado,Mulheres,Representações,Feminismo,Portugal