Ciência_Iscte
Comunicações
Descrição Detalhada da Comunicação
Como lembram as democracias? As democracias liberais e a não-contenção da memória autocrática
Título Evento
Seminário Internacional de Jovens Investigadores em Estudos Políticos
Ano (publicação definitiva)
2026
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
--
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Abstract/Resumo
Com a chamada «terceira vaga» de democratizações, as formas de lidar com o
passado autoritário dominantes consolidaram-se no contexto histórico e político das décadas de 1980 e 1990. Internacionalmente, a desejabilidade das transições negociadas e o presentismo do consenso neoliberal produziu um modelo ideal de lidar com o passado que procurava a todo o custo uma postura que evitasse o conflito sobre o passado. Assim, as elites políticas entendem que o estado deve desempenhar um papel reconciliador, de forma mais ou menos forçado, que através de amnésias e silenciamentos procure ignorar a violência e os problemas do passado, igualando resistentes e opressores. Este modelo enquadra-se num entendimento institucionalizado da democracia liberal, consagrada pelo
acesso ao voto e pelo respeito pela «normalidade democrática», compreendida enquanto modelo ideal de ordem social e política.
Um outro modelo idealizado, oposto ao primeiro, tem sido particularmente apoiado por ativistas, antigos resistentes, e aproxima-se de um entendimento mais militante da democracia, defendendo que esta não se esgota nos procedimentos institucionais. Como tal, procurando também fazer sentido das suas narrativas autobiográficas no conjunto da memória coletiva da comunidade política, exige-se ao Estado democrático a condenação da violência do regime ditatorial que lhe antecedeu e o escrutínio das formas mobilizadas pelo aparelho de estado herdado pela democracia. Este modelo exige ao Estado um papel ativo na definição positiva do processo de construção democrática, reconhecendo a importância das resistências à ditadura.
A presente comunicação pretende mapear a evolução da postura das elites políticas portuguesas em democracia a partir destes dois tipos ideais e opostos, identificando-se uma tendência predominante de aproximação ao primeiro modelo. Argumentamos que a tendência política dominante desde os anos 1980 acabou por permitir a normalização da memória da ditadura salazarista, fazendo com que a adesão a projetos menos democráticos emirja como viável em contextos de crise social, económica ou política da democracia vigente.
Agradecimentos/Acknowledgements
--
Palavras-chave
democracia,memória,Estado,crise das democracias,legados autocráticos,conservadorismo,autoritarismo
Classificação Fields of Science and Technology
- Ciências Políticas - Ciências Sociais
- Outras Ciências Sociais - Ciências Sociais
Registos de financiamentos
| Referência de financiamento | Entidade Financiadora |
|---|---|
| 2025.00574.BD | FCT |
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Com o objetivo de aumentar a investigação direcionada para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 das Nações Unidas, é disponibilizada no Ciência_Iscte a possibilidade de associação, quando aplicável, dos artigos científicos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Estes são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável identificados pelo(s) autor(es) para esta publicação. Para uma informação detalhada dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, clique aqui.
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