Comunicação em evento científico
Comportamentos fecundos e perfis sociográficos de mães cabo-verdianas e portuguesas: proximidades e contrastes
Ana Matos (Saint-Maurice, A.); Sónia Pintassilgo (Pintassilgo, S.);
Título Evento
Woman XXI
Ano
2017
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
Web of Science®

N.º de citações: 1

(Última verificação: 2019-07-13 08:08)

Ver o registo na Web of Science®

Abstract/Resumo
A reconfiguração dos padrões fecundos em Portugal caracterizou-se por uma diminuição progressiva dos valores do Índice Sintético de Fecundidade (ISF), desde a década de 1970, consolidada no início da década de 1980. Esta evolução é tributária de mudanças profundas no tecido social português, entre as quais o aumento da escolarização feminina, a diversificação dos modelos familiares, o reposicionamento do papel social da criança e dos filhos, o acesso à contracepção moderna. Actualmente, o calendário e a intensidade da fecundidade pautam-se por idades médias no nascimento dos filhos próximas dos 30 anos e por um número de filhos por mulher próximo de 1. Não há, contudo, uma homogeneização dos comportamentos na população, podendo aqueles variar em função de contextos culturais e sociológicos diferenciados. A nacionalidade da população em idade fértil apresenta-se como uma variável determinante das características da fecundidade, influenciando expectativas e resultados fecundos. Sendo Portugal um país de forte imigração, questionamo-nos em que medida os contrastes culturais e étnicos introduzem esbatimentos ou reforços no padrão de fecundidade dominante e nas suas configurações socialmente diferenciadas. O ponto de partida para esta comunicação decorre de um trabalho apresentado em 2015, em que se procurava distinguir duas populações etnicamente distintas no que se refere a perfis de fecundidade. A informação baseava-se na exploração das bases de dados dos nados-vivos até 2013. Procurava-se, então, a comparação de perfis sociográficos da população fecunda portuguesa com os da população imigrante com um maior tempo de permanência em Portugal, a população cabo-verdiana, remetendo para a importância, em tese, de variáveis de natureza cultural e étnica na ancoragem de eventuais distinções. Tendo em conta a evolução do contexto socioeconómico do país e o seu possível impacto nas decisões em matéria de fecundidade, propomo-nos agora realizar uma análise mais atualizada dos comportamentos fecundos das populações em estudo. Assim, para este primeiro momento de análise, recorremos às bases de dados dos nados-vivos até 2016, disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Estatística, com o objetivo de examinar, por um lado, os indicadores de calendário e intensidade da fecundidade e, por outro, indicadores sociográficos das duas populações. No estudo anteriormente realizado constatou-se uma aproximação dos valores do ISF, que ainda assim se mantém superior para a população cabo-verdiana. Esse dado articula-se com o afastamento dos valores da idade média das mães no nascimento dos filhos das duas populações. Apesar da aproximação, nos últimos anos, do número médio de filhos por mulher, as mulheres cabo-verdianas iniciam mais cedo a sua descendência. Neste sentido, levanta-se a questão: Será que as expectativas de descendência da população cabo-verdiana serão mais elevadas, embora não concretizadas? Esta interrogação remete-nos para um segundo momento de análise, em que se procura escrutinar diferenças entre fecundidade desejada e realizada, a partir da informação do último inquérito à fecundidade. Asumimos, em termos hipotéticos, que a distância entre fecundidade desejada e realizada será maior no seio da população cabo-verdiana, o que estará relacionado com a especificidade e o contexto de cada uma das populações. Fecundidade-Realizada; Fecundidade-Desejada; Classe social; Etnia
Agradecimentos/Acknowledgements
--
Palavras-chave
Fecundidade-Realizada; Fecundidade-Desejada; Classe social; Etnia