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Descolonizando conhecimento sobre a cidade e suas margens, repensando modos de reparação: confluindo com Sinho Baessa e suas caminhadas afetivas Noz Storia
Paulo Raposo (Raposo, P.);
Event Title
VII INTERNATIONAL CONFERENCE “COMbART: Artistic Sustainabilities, urgencies and eco-sensibilities
Year (definitive publication)
2026
Language
Portuguese
Country
Portugal
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Abstract
É sobejamente conhecida a postura e a tradição científica clássica na qual museus, pesquisadores e colecionadores constituem e circulam arquivos com o objetivo de apresentar o “Outro”. Contemporaneamente, essas coleções etnográficas abandonam as reservas técnicas das instituições, de museus, galerias, bibliotecas, e seus acervos e reflexões académicas e especializadas são revisitadas e interpeladas, quando não postas em causa. Novos arquivos, de produção vernacular e tantas vezes de viés artístico, revelam significados que são atribuídos ao lugar e ao conhecimento situado sobre tais “histórias”, neles emergindo práticas de subversão e crítica dos acervos históricos e das chamadas histórias oficiais. Tenho vindo a acompanhar diferentes processos de produção destes arquivos vernaculares ou de práticas artivisticas que realinham a produção de narrativas e subvertem a ideia de que existem instituições legitimas/narrativas únicas que detêm, de forma privilegiada, tais patrimónios e memórias. Assim, nesta comunicação procuro trazer a experiência de um projeto de memorial e arquivo vernacular, baseado na dinâmica do storytelling da autoria de Sinho Baessa, intitulado Noz Storia. Este projeto, através de práticas de caminhada afetiva e contação de histórias biográficas, constitui-se numa outra versão da história dos bairros autoconstruídos, periferizados e racializados na cidade de Lisboa. Junto com Sinho Baessa, artista e ativista negro e morador destes bairros consecutivamente destruídos, pretendemos interpelar e melhor entender estas novas dinâmicas e desafios que se colocam à produção de conhecimento situado e que se podem também entender como modalidades contracoloniais de artivismo ou de uma estética socialmente comprometida e politicamente engajada.
Acknowledgements
Agradeço a Sinho Baessa (José de Pina) a sua colaboração e diálogo na elaboração e revisão desta comunicação
Keywords
reparação,ativismo,periferias,contracolonial,Arquivos vernaculares