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Descrição Detalhada da Comunicação
Evidências de Aglomerados Criativos em Portugal
Título Evento
IV SIEC Conference – Seminário Iberoamericano de Economia da Cultura
Ano (publicação definitiva)
2024
Língua
Português
País
México
Mais Informação
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Abstract/Resumo
- Costa, P.; Machado, A. F.; Ribeiro, L.; Silva, C. (2024), “Evidências de Aglomerados Criativos em Portugal”. Presentation to the IV SIEC Conference – Seminário Iberoamericano de Economia da Cultura, Palacio de la Autonomía de la Fundación UNAM y Centro Cultural de España en México, Ciudad de Mexico, Mexico, 27–29 November 2024
O final do século XX consolidou uma série de transformações socioeconômicas que repercutem desde então nos modos de produzir, de consumir, relacionar-se, fruir e acumular. A intangibilidade e digitalização ancoradas na revolução das tecnologias de informação e comunicação são registros dessa quebra estrutural. No cerne deste processo, criatividade, conhecimento, inovação e lugar tornaram-se insumos ainda mais importantes para desenvolvimento e diversificação das economias.
Como bem lembra Cerisola (2017), o potencial positivo da diversificação já teria sido investigado por Jacobs (1961) quando tratando de processos de urbanização e, mais recentemente, pela literatura que combina criatividade e conhecimento (Weitzman 1998; Fleming 2001; Burt 2004; Fleming et al. 2007; Singh and Fleming 2010, Florida, 2011 ).
Em todos esses estudos, busca-se identificar o papel de amenidades e de economias de aglomeração que, para além do percebido para o período da industrialização, passa a incorpora outros fatores tais como atividades culturais, de recreação, centos de pesquisa e de inovação, espaços culturais, arte urbana, entre outros, de modo a atrair uma classe de trabalhadores envolvida com produção de signos, símbolos, artes e conhecimento. Lazzaretti (2012) ressalta que esses setores econômicos baseados na criatividade artística, científica e técnica formam economias de aglomeração externa que podem ser explicadas tanto em termos de diversidade como de especialização. Por essa razão, é importante investigar os aglomerados criativos, posto que, com a facilidade de comunicação e mobilidade em larga escala, a rede de lugares não se atém a uma cidade, mas a um aglomerado de cidades.
Tendo essas questões em tela, Machado, Simões e Diniz (2013), Vaz de Melo e Paiva (2017), Cerisola (2017) propuseram analise de clustering para identificar entre os municípios brasileiros, municípios brasileiros de porte médio e municípios italianos, respectivamente, a presença de aglomerados criativos e as razões para tal. Imbuídos do mesmo objetivo, buscamos identificar e analisar clusters criativos em Portugal.
Para tanto, utilizamos como principal fonte de dados o Censo de 2021, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal, que abrange os 308 municípios portugueses. Os indicadores utilizados se dividem em variáveis relacionadas às artes e cultura (despesas em atividades culturais e criativas por habitante, despesas municipais com bibliotecas, número de museus, número de empresas do setor de atividades artísticas e culturais, população empregada em atividades artísticas e culturais, número de salas de cinema); variáveis relacionadas à criatividade cientifica (pessoas com pelo menos o ensino secundário completo, número de investigadores nas instituições e empresas com investigação e desenvolvimento por 1000 habitantes, docentes do ensino superior, artigos publicados em periódicos científicos) e variáveis relacionadas ao dinamismo socioeconômico ( taxa de desemprego, população estrangeira, população média residente, crimes de homicídio voluntário consumado, taxa de casamentos homoafetivos).
Tais variáveis, depois de normalizadas, foram aplicadas à técnica TSNE, de redução de dimensionalidade não linear que visa representar dados de alta dimensão em um espaço de menor dimensão, preservando a estrutura local dos dados, bem como à DBSCAN (Density-Based Spatial Clustering of Applications with Noise), um algoritmo de clustering baseado em densidade que agrupa pontos de dados espacialmente próximos que compartilham densidades semelhantes, separando-os de ruído ou valores discrepantes.
Os resultados evidenciam a formação de 18 clusters. Entretanto, apenas cinco são identificáveis. Um deles se destaca pela aglomeração em torno das variáveis relacionadas à criatividade científica. Um outro pela criatividade científica e cultural. Um terceiro pelo pouco dinamismo econômico e forte presença de trabalhadores no setor cultural e de população estrangeira. O quarto pelo dinamismo nas relações sociais e participação cultural e o quinto pela incidência de criminalidade (elevada para a média do país) e pela presença do setor cultural.
Os aglomerados identificados abrangem 32 municípios, um pouco mais de 10% dos municípios portugueses. Alguns guardam também proximidade geográfica, outros se aglutinam somente pela dimensão das variáveis selecionadas.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
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