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Próxima paragem. A perceção sobre o projeto do Metropolitano de Superfície entre a Costa da Caparica e a Trafaria
Marta Rosa (Rosa, Marta); Carla Mouro (Mouro, C.);
Event Title
Congresso Ordem dos Psicólogos Portugueses
Year (definitive publication)
2026
Language
Portuguese
Country
Portugal
More Information
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Abstract
A mobilidade urbana enfrenta crescentes pressões resultantes da densidade populacional e da necessidade de transição para a sustentabilidade. Contudo, os projetos nesta área tendem a privilegiar soluções técnicas, frequentemente desconsiderando as perspetivas das comunidades diretamente afetadas desde as fases iniciais de planeamento. Esta lacuna pode gerar perceções de injustiça e desencadear contestação social. Neste contexto, o presente estudo procura compreender as perceções de residentes e comerciantes da Costa da Caparica relativamente ao projeto do Metropolitano de Superfície, uma iniciativa que tem suscitado forte envolvimento público, incluindo sessões de consulta pública e uma petição com mais de 1000 assinaturas. Esta pesquisa permitirá identificar fatores de apoio e de contestação a projetos específicos de mobilidade urbana, contribuindo para decisões de mobilidade mais inclusivas e justas. Adotou-se uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas. A recolha de dados encontra-se em curso, prevendo-se a realização de 15 a 20 entrevistas a residentes e comerciantes, com posições divergentes (a favor e contra o projeto). Para além de captar temas emergentes propostos pelos participantes, a análise temática centra-se nas dimensões de justiça socioambiental percebida: procedimental, distributiva, de reconhecimento e de capacidades/bem-estar. Os resultados preliminares (de sete entrevistas já realizadas) evidenciam diferentes perceções de justiça entre os participantes. Relativamente à justiça distributiva, há divisão entre os que antecipam benefícios, como a melhoria da circulação e a redução do trânsito, especialmente na época balnear, e os que destacam os custos associados, nomeadamente o impacto das obras, a possível falta de manutenção e a descaracterização da cidade. Ao nível da justiça procedimental, é valorizada a realização de sessões públicas, embora alguns participantes defendam que a participação deveria ser mais restrita a indivíduos com maior conhecimento técnico. Na dimensão de reconhecimento, participantes a favor do projeto consideram importante ouvir a população, mas atribuem maior peso aos contributos de especialistas, enquanto os opositores sentem que a comunidade não está a ser devidamente considerada e apontam para uma incompatibilidade do projeto com o modo de vida local. Quanto às capacidades/bem-estar, verifica-se um consenso transversal de que o projeto não constitui uma prioridade para a cidade. Ainda assim, os apoiantes acreditam que poderá impulsionar outros investimentos, enquanto os opositores argumentam que este elevado investimento deveria ser destinado a necessidades mais urgentes, como a gestão urbana, melhorias nas infraestruturas e serviços básicos (como a recolha de lixo). Assim, os resultados iniciais sugerem a existência de tensões entre diferentes perceções de justiça e prioridades na gestão urbana. A divergência entre benefícios percebidos e custos antecipados, bem como as expectativas distintas quanto à participação pública, evidencia a importância de processos mais inclusivos ao contexto local. Estes resultados reforçam a necessidade de integrar as perceções das comunidades no planeamento de projetos de mobilidade, o que poderá contribuir para sistemas de transporte mais ajustados aos seus modos de vida, necessidades e bem-estar.
Acknowledgements
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Keywords