Comunicação em evento científico
"Revisitar um grande díptico de arte e guerra na Europa do século XX: «Guernica» de Picasso e «Crucificação Branca» de Picasso"
Idalina Conde (Conde, I.);
Título Evento
40ª Conferência da APEAA (Associação Portuguesa de Estudos Anglo-Americanos), Faculdade de Artes e Humanidades, Universidade do Porto, 6-8 Junho 2019
Ano
2019
Língua
Inglês
País
Portugal
Mais Informação
Abstract/Resumo
SINOPSE: Ao encontro de um dos tópicos da conferência, o 80º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial em 1939, esta comunicação revisita «Guernica» (1937) de Pablo Picasso (1881-1973) e «Crucificação Branca» (1938) de Marc Chagall (1887-1985). Um grande díptico de arte e guerra na Europa do século XX, embora nem sempre colocadas em paralelo. Para a conferência sobre estudos anglo-americanos ainda importa a referência à viagem transatlântica das obras, mesmo porque os exílios com diásporas igualmente contribuíram para a universalidade que essas obras-primas ganharam como símbolos do sofrimento humano, contra as atrocidades de guerras e colapsos da civilização, Próximas no tempo, as obras foram criadas na véspera do conflito e a partir de duas tragédias. Guernica, sobre o massacre da cidade basca durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39), bombardeada a 26 de abril de 1937 pela aviação alemã com o apoio de Hitler aos nacionalistas conduzidos pelo general e ditador Francisco Franco (1939-1975). Cruxificação Branca prenuncia o Holocausto na pintura do martírio dos judeus durante a Kristallnacht, "Noite de Cristal", ou “Noite dos Vidros Partidos”, de 9 para10 de novembro de 1938. Essa noite de perseguição nazi aos judeus na Alemanha e Áustria, com ataque a propriedades, destruição de 267 sinagogas e deportação de milhares para campos de concentração. Testemunho para a dolorosa lembrança de momentos negros na Europa do século XX, são obras que também se elevam dos contextos de origem para comungarem um significado maior. Do ponto de vista da geo-política da guerra, agendas da remembrance, e mesmo confronto na reivindicação das vítimas, é certo que o universal constitui uma questão sensível e ainda em debate no lastro das contendas na Europa. Em contraste com a dimensão do Holocausto, a Guerra Civil Espanhola poderia, pois, parecer um episódio a que, todavia, Picasso deu o baluarte ético e simbólico de «Guernica». Mas transcender desse modo é justamente meta da arte, e «Crucificação Branca», uma primeira versão dos Cristos de Chagall, também mostra o universal com sentido ecuménico que perturba a ortodoxia religiosa. Aí, Jesus jaz pregado na cruz com o tallit, xaile de oração judaica, enquanto sobre a sua cabeça se lê na inscrição em hebreu: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”, cercado de destruição. Com efeito, embora tão aclamado pela condição judaica que permeou muita da sua iconografia, Chagall foi sobretudo um grande criador e par de Picasso desde o primeiro modernismo. Além disso, acreditou em continuidades entre Velho e Novo Testamento que o inspiraram para criar maravilhosos vitrais em catedrais cristãs na Europa, enquanto outra série fez para a Sinagoga de Hadassah em Jerusalém, com a representação das Doze Tribos de Israel. Assim, tudo em nome da arte, espiritualidade com diálogo entre religiões, beleza, paz, e «Peace Window» (1964) apareceria na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. A viagem entre continentes dá a dimensão transatlântica da guerra que as obras transportam na sua geografia e irradiação semântica. Em fuga da guerra o próprio Marc Chagall viveu nos Estados Unidos de 1941 a 1948, juntamente com mais artistas exilados em Nova Iorque. Pintada de antes, «Cruxificação Branca» também pertence à coleção do Art Institute de Chicago. Quanto a «Guernica», por vontade de Picasso a obra manteve-se fora de Espanha até à morte do ditador Franco e restauração da democracia em 1977. De facto, só chegou em 1981 e, desde 1992, ao Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia. Durante o longo exílio teve périplo por vários países. Alguns na Europa ainda entre 1938-39 e, logo antes de eclodir a II Guerra Mundial, o quadro partiu para os Estados Unidos onde foi visto em exposições por exemplo nas cidades de S. Francisco, Chicago, Filadélfia, até à residência no MOMA - Museu de Arte Moderna em Nova Iorque. Na década de 1950 ainda teve uma ida ao Brasil. Em suma, circulações para revisitar a história do díptico por espaços, sentidos e legados. (DRAFT TRANSLATION) Following one of the conference topics, the 80th anniversary of the beginning of World War II in 1939, this paper revisits Pablo Picasso's «Guernica» (1937) (1881-1973) and «White Crucifixion» (1938) by Marc Chagall (1887-1985). A great diptych of art and war in twentieth-century Europe, though not always paralleled. For a conference on Anglo-American studies it also matters the reference to the transatlantic journey of both artworks, even because exiles with diasporas also contributed to the universality that these masterpieces gained as symbols of human suffering, against the atrocities of wars and collapses of civilization. Close in time, the artworks were created on the eve of the conflict, and from two tragedies indebt to totalitarisms, from the context in Spain to the Holocaust. «Guernica» regards to the massacre of the Basque city during the Spanish Civil War (1936-39) that was bombed on April 26, 1937, by German aviation with Hitler’s support to the nationalists led by general and dictator Francisco Franco (1939-1975). «White Crucifixion» depicts the Jewish martyrdom in the Kristallnacht, "Crystal Night," or "Night of Broken Glasses", on November 9 to 10, 1938. The Nazi pogrom against Jews in Germany and Austria, with attacks to properties, destruction of 267 synagogues, and deportation of thousands to concentration camps. Witnessing dark moments for painful memory in 20th century Europe, they are masterpieces that also raise beyond their contexts of origin to share a higher meaning. With regard to geo-politics of war, agendas of remembrance, and even confrontation in the victims' claims, the universal is a sensitive and still debated issue in the aftermath of disputes in Europe. Therefore, in contrast to the Holocaust scope, the Spanish Civil War could seem like an episode to which, however, Picasso gave the ethical and symbolic standard of «Guernica». To raise the subject in this way is precisely a goal of art, and «White Crucifixion», one first version of the Christs of Chagall, also shows the universal with a ecumenical sense that disturbs the religious orthodoxy. Here lies Jesus nailed to the cross with the «tallit», Jewish prayer shawl, while the Hebrew inscription above his head says: "Jesus of Nazareth, King of the Jews," surrounded by destruction. In fact, although so acclaimed by his Jewish identity that permeated much of his iconography, Chagall was above all a great creator and peer of Picasso since the former modernism. Furthermore, he believed in continuities between the Old and New Testaments that inspired him to create wonderful stained glass windows in Christian cathedrals in Europe, while another serie was also done for the Hadassah Synagogue in Jerusalem, representing the Twelve Tribes of Israel. So, all in praise of art, spirituality open to inter-religious dialogue, beauty, peace, and a «Peace Window» (1964) would be placed at the United Nations headquarters in New York. The journey between continents gives the transatlantic dimension of the war that these artworks carry in their geography and semantic irradiation. Fleeing the war, Marc Chagall lived himself in the United States from 1941 to 1948, along with more artists exiled in New York. Painted before, «White Cruxification» also belongs to the collection of the Art Institute of Chicago. As for «Guernica», by Picasso's will, the work remained outside Spain until the death of the dictator Franco and restoration of democracy in 1977. In fact, the painting only arrived in 1981 and, since 1992, at the National Museum of Art Reina Sofia. During the long exile, «Guernica» had a diaspora across several countries, some of them in Europe in 1938-39, and went to the United States just before the outbreak of WW II. In the American stay the painting was seen in exhibitions, for instance, in S. Francisco, Chicago, Philadelphia, until the permanent residence in MOMA - Museum of Modern Art in New York. In the 1950s, still one more travel to Brazil. In short, circulations to revisit the history of the diptych through spaces, meanings, and legacy.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
World War II,Guernica,White Crucifixion,Chagall,Transatlantic circulations of art and culture