Arquivos Impossíveis. Uma agenda de pesquisa exploratória sobre o que fica de fora da memória e o património
Investigador
Nos últimos anos, Portugal e Espanha têm assistido a um desenrolar público e ao mesmo tempo controverso de políticas de memória sobre os seus passados violentos (coloniais, fascistas). Se em Portugal as atuais comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos e da independência das suas antigas colónias suscitaram debates sobre processos hegemónicos e oficiais versus alternativos de patrimonialização e o silenciamento de memórias do seu passado colonial, em Espanha a trajetória social da Lei da Memória Histórica desde a sua implementação em 2007 tem sido marcada por diferentes instâncias de disputa política e “lawfare”. Isto recorda-nos que a memória não é apenas (no sentido freudianos e sociológico) um território contestado, mas também que os processos de memória e herança são intervenções e mobilizações contingentes em conjuntos "disponíveis" determinados por hegemonias políticas (Samuels 2018). A questão mantém-se pertinente e ativa: o que motiva as mobilizações para preservação e arquivo (Derrida 1996), e que mobilizações se tornam hegemónicas ou marginalizadas no campo da memória que se gera? E mais importante, quais os custos epistemológicos, políticos e éticos de tais mobilizações? Que memórias se tornam invisíveis/indetetáveis/impossíveis no processo? Esta formulação equipara, portanto, os processos de memória e património, em particular os relacionados com a violência do passado, a mobilizações sociais necessariamente conflituosas que incorporam problemas de justiça, direitos humanos e reparações. A este respeito, embora a contribuição do património para a paz, a democracia e os direitos humanos tenha sido recorrentemente formulada através de canais políticos e académicos desde a sua formulação no âmbito da UNESCO, existe ainda um conhecimento e uma compreensão insuficientes dos contextos em que a patrimonialização contribui para a injustiça social através de processos de imposição, hegemonia, amnésia e silenciamento – em particular no que diz respeito às me...
Informação do Projeto
2026-02-01
2027-07-31
Parceiros do Projeto
Revolução, para a história de um conceito. Análise de debates parlamentares portugueses, 1821-2024
Investigador
A ideia de revolução moldou profundamente a história contemporânea, influenciando expectativas, memórias e dinâmicas sociais a nível global. Entre historiadores, é comum delimitar esta época pelos momentos de ascensão e declínio da ideia de revolução, desde a Revolução Francesa de 1789 ao colapso da URSS em 1991. Este projeto propõe-se investigar os significados e a frequência do termo "revolução/revoluções" nos debates parlamentares portugueses entre 1821 e 2024, contribuindo para uma história do conceito na cultura política portuguesa. Partindo do pressuposto de que discursos refletem e constroem a realidade, serão analisadas as intervenções nos principais órgãos parlamentares portugueses, acedendo ao arquivo digital da Assembleia da República. O estudo combina métodos quantitativos e qualitativos, integrando Humanidades Digitais, Ciência de Dados e História Intelectual. Os dados preliminares indicam 20.514 ocorrências do termo em discursos parlamentares desde a monarquia constitucional, sendo metade após a Revolução de Abril de 1974, que terá atenção especial no projeto. A análise permitirá identificar continuidades e ruturas na cultura política portuguesa ao longo de diferentes regimes, situando a Revolução de Abril numa trajetória mais ampla e conectada a dinâmicas transnacionais e imperiais. Os resultados esperados incluem dois livros e um mapa digital sobre revoluções contemporâneas, promovendo novas perspetivas sobre a memória e a historicidade da Revolução de 1974.
Informação do Projeto
2025-01-01
2026-06-30
Parceiros do Projeto
- CIES-Iscte
- CEI-Iscte
- CRIA-Iscte
- IHC - Líder (Portugal)
- CES-UC - (Portugal)
- NOVA IMS - (Portugal)
- UCM - (Espanha)
- CHAM-NOVA FCSH - (Portugal)
O Museu da Luta de Libertação em Luanda: um estudo sobre a espetacularização do património
Investigador
Em Junho de 2023, o primeiro-ministro de Portugal Antonio Costa realizou uma visita de estado a Luanda onde visitou o projeto de inauguracao do futuro Museu da Luta de Libertacao, situado na antiga Casa de Reclusao, lugar de prisao de varios protagonistas da independencia angolana. Sendo esta a primeira vez que se tornou publico o projeto, o momento de visita de Costa revestiu-se de um simbolismo politico relevante no contexto da diplomacia cultural e patrimonial lusofona pos-colonial. Mas, tendo em conta que o espaco em causa tambem incorpora uma historia de extrema violencia pos-colonial, quais sao os custos epistemologicos e politicos do projeto? A partir do estudo de caso do novo museu, propomos debater os processos de ritualizacao publica e performatizacao patrimonial do espaco pos-colonial lusofono. Para tal, utilizaremos o conceito operativo de “espetacularizacao patrimonial” para discutir os atores, as relacoes e representacoes em torno dos processos de patrimonializacao.
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2024-01-01
2024-12-31
Parceiros do Projeto
Educação Doutoral em Portugal: Que Futuro?
Investigador
A educação doutoral tem sido palco de mudança em Portugal. Os programas de doutoramento têm sofrido mudanças estruturais e institucionais, resultando em novos e diversificados desenhos educativos e de investigação. Alguns dos debates mais proeminentes em torno destas mudanças recentes debruçam-se sobre programas concebidos à medida de indivíduos versus cursos obrigatórios e previamente estruturados; competências básicas de investigação versus competências transferíveis; duração do grau e prazos de conclusão esperados; diferentes formas de apoio financeiro; práticas e programas de apoio inovadores; tipos de orientação académica e oportunidades de formação; e o impacto da digitalização. Outras tendências incluem a expansão de parcerias de colaboração e intercâmbios internacionais tais como parcerias universidade-indústria, cooperação com outros setores da sociedade e associações internacionais entre universidades similares. No centro destas mudanças estão as motivações, experiências, propósitos e aproveitamento dos alunos. Ligadas aos propósitos e aproveitamento dos alunos, estão as avaliações de qualidade e acreditação, tais como objetivos e fins educativos, importância e relevância do programa e rankings universitários, bem como a futura direção da universidade, considerando a educação doutoral no resto do mundo.
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2022-06-03
2024-06-30
Parceiros do Projeto
Governação, transformações políticas e negociação de quotidianos: Portugal 2008-2018
Investigador
Na última década, Portugal teve três governos diferentes com orientações políticas e propostas para organização legislativa muito díspares. Cada um deles reivindicava o início de um processo de política transformadora que teria um impacto positivo na sociedade portuguesa. Nesse sentido, as políticas sociais e a legislação sobre trabalho, saúde, educação, habitação e segurança sofreram alterações profundas a cada mudança legislativa, o que teve diferentes repercussões tanto nas instituições que as implementam como nas vidas das pessoas. Além disso, a crise económica gerou uma crise no modelo europeu, condicionando a reprodução social e questionando os modelos de redistribuição das três escalas de interação social: macro (mercado, Estado), meso (instituições mediadoras e atores) e micro (redes familiares e sociais). LIVEPOLITICS pretende analisar a forma como essas mudanças afetam e condicionam os processos de tomada de decisão e o funcionamento quotidiano das instituições, bem como as experiências pessoais e sociais dos cidadãos e os seus planos para o futuro. Numa análise detalhada sobre os modos como os diferentes atores e sectores da sociedade experienciam a legislação e as políticas através das diversas instituições, este projecto foca-se nas formas como as pessoas experienciam nos seus quotidianos as políticas que as governam e a forma como as implementam e negoceiam no âmbito de economias morais. O projeto irá desenvolver-se em três dimensões principais: 1) Estratégias de sobrevivência e superação de quotidianos; 2) Grassroots economics: sua definição, regimes de valor e cuidado, interpretações de crise e sua superação; 3) Políticas públicas, desde a sua concepção, implementação e impacto nas instituições e cidadãos. Pretende-se reflectir sobre o modo como ao longo de uma década de profundas mudanças de políticas sociais, diferentes sectores da sociedade portuguesa as experienciam nos seus quotidianos através da sua relação com as instituições estatais, num con...
Informação do Projeto
2018-09-01
2022-08-31
Parceiros do Projeto
- CRIA-Iscte - Líder
- ICS/UL - (Portugal)
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