Mudanças na política de dissuasão nuclear dos EUA e a securitização da Rússia (2001-2021)
Bolseiro de Doutoramento
Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos (EUA) percecionavam uma ameaça constante de ataque nuclear soviético. Aproximando-se o fim do conflito, as perceções de ameaça de Moscovo diminuíram consideravelmente nos EUA, e os dois países reduziram drasticamente os seus arsenais nucleares através de tratados de controlo de armamento. Contudo, em 2024, Washington e Moscovo ainda retêm arsenais que totalizam aproximadamente 88% das armas nucleares mundiais. Apesar da cooperação no âmbito do regime de não-proliferação nuclear no período pós-Guerra Fria, os EUA e Rússia mantêm uma relação de dissuasão nuclear, abandonaram ou suspenderam regimes de controlo de armamento, desenvolveram novas armas nucleares e realizaram programas de modernização nuclear. Avançando a hipótese de que as perceções de ameaça russa perduraram, esta tese questiona de que forma estas explicam mudanças na política de dissuasão nuclear americana (2001-2021). Combinando Teoria da Securitização com Análise de Discurso Político, desenvolvemos uma metodologia que entende perceções de ameaça como parte de um espetro mais alargado de razões para atuar, que informam conclusões sobre o que fazer. As perceções de ameaça não existem num vácuo, coexistindo ou competindo com outras razões para atuar que, como um todo, explicam escolhas políticas específicas. Nesta tese, argumentamos que perceções de ameaça da Rússia são razões para atuar ubíquas, prevalecendo sobre outras frequentemente, e informando decisões para atuar, não atuar, e como atuar. A securitização da Rússia nos EUA durante o período de análise influenciou profundamente decisões sobre defesa antimíssil, reduções de armas nucleares, controlo de armamento, e programas de modernização nuclear.
Palavras-chave: Estados Unidos, Rússia, Armas Nucleares, Dissuasão Nuclear, Espectro da Securitizaçao, Análise de discurso político.
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