Comunicação em evento científico
Entre Recursos e Exigências: A Inteligência Artificial e o Desenvolvimento de Competências no Trabalho
Filomena Maria Magalhães Graça (Graça, F. ); Inês C. Sousa (Sousa, I.C.);
Título Evento
XIII Conferência internacional de Investigação e Intervenção em Recursos Humanos
Ano (publicação definitiva)
2026
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
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Abstract/Resumo
A rápida evolução tecnológica, em particular o avanço da Inteligência Artificial (IA), tem introduzido mudanças profundas no funcionamento organizacional, bem como nos processos e fluxos de trabalho, apresentando elevado potencial para aumentar a eficiência organizacional (Dwivedi et al., 2021). Contudo, estes autores salientam que a utilização da IA envolve também riscos e constrangimentos que contribuem para que o seu potencial permaneça, em muitos contextos, subexplorado. Adicionalmente, a capacidade da IA para melhorar o funcionamento organizacional depende fortemente da adaptação individual dos trabalhadores e do desenvolvimento das suas competências, especialmente no domínio das competências digitais (e.g., gestão da informação, comunicação) (Van Laar et al., 2017). Neste contexto, o presente estudo centra-se nas perceções e experiências individuais dos trabalhadores relativamente à IA, analisando o impacto da sua utilização no trabalho e no desenvolvimento de competências. O enquadramento teórico assenta no Modelo das Exigências-Recursos do Trabalho proposto por Demerouti e colegas (2001), conceptualizando a IA simultaneamente como um recurso do trabalho, com potencial para apoiar o desempenho, e como uma exigência, na medida em que introduz novas pressões e desafios de aprendizagem. A investigação adotou uma abordagem qualitativa, recorrendo a 12 entrevistas semiestruturadas com trabalhadores de diferentes setores de atividade. As transcrições foram analisadas através de análise temática (Braun & Clarke, 2006), com o apoio do software MAXQDA (v. 24). A análise permitiu identificar cinco temas principais: (i) a IA como recurso do trabalho; (ii) exigências associadas à IA; (iii) recursos pessoais na aprendizagem com IA; (iv) recursos sociais na aprendizagem com IA; e (v) consequências para a aprendizagem. A IA foi percecionada como um recurso do trabalho, sendo descrita como uma ferramenta que aumenta a eficiência, automatiza processos e simplifica tarefas, ao acelerar a execução e reduzir tarefas repetitivas: “É um aliado, que me dá tempo para me focar em atividades mais estratégicas” (E7). Adicionalmente, é vista como suporte à tomada de decisão, à resolução de problemas e à organização da informação. Em contraste, os participantes referiram exigências e constrangimentos que dificultam a aprendizagem ou o uso eficaz da IA, destacando-se a falta de tempo e a priorização do desempenho imediato da tarefa em detrimento da aprendizagem: “Ritmo do trabalho nem sempre permite parar para investir seriamente na aprendizagem.” (E1). Foi igualmente salientada uma elevada carga cognitiva associada à utilização da IA na ausência de apoio estruturado, reforçada pela falta de clareza quanto à visão e às expectativas organizacionais, dado que não existem diretrizes ou políticas formais. O terceiro tema refere-se aos recursos pessoais na aprendizagem com IA, incluindo a curiosidade, o interesse em explorar a tecnologia e a perceção de autoeficácia: “Não é a capacidade digital em si; é a curiosidade.” (E6). A aprendizagem é descrita sobretudo como iniciativa pessoal, articulando-se com a perceção de autonomia no uso e na aprendizagem da IA, baseada na experimentação gradual, sem regras formais ou orientações explícitas. Os recursos sociais do trabalho emergem como a quarta dimensão, referindo-se ao apoio social não institucionalizado, nomeadamente à partilha informal de conhecimentos entre colegas e à normalização do uso da IA no contexto das equipas: “Ter pessoas que dominam determinados programas acaba por ser também uma motivação para adquirirmos essas mesmas competências” (E12). Mesmo na ausência de políticas formais, o uso da IA é legitimado a este nível, através da criação de práticas partilhadas. Por fim, a quinta dimensão abrange as consequências do (des)equilíbrio entre exigências e recursos no uso e na aprendizagem da IA. Os resultados indicam que o desenvolvimento de competências digitais tende a ser fragmentado, irregular e pouco estruturado, contribuindo para o subaproveitamento das potencialidades da IA e para dificuldades na consolidação e transferência das competências adquiridas: “Se eu tivesse a ajuda da minha empresa, se eu tivesse mais formações e não pontuais… Porque a inteligência artificial é um mundo.” (E1) Este estudo contribui para a literatura ao evidenciar a natureza ambivalente da IA enquanto recurso e exigência do trabalho, bem como o papel central dos recursos pessoais e sociais neste processo. Em termos práticos, os resultados sublinham a importância de estratégias organizacionais claras e de condições estruturadas de aprendizagem para reduzir exigências excessivas e potenciar o desenvolvimento de competências digitais.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
Inteligência Artificial (IA),Competências,Modelo das Exigências-Recursos do Trabalho,Aprendizagem
  • Psicologia - Ciências Sociais
  • Economia e Gestão - Ciências Sociais

Com o objetivo de aumentar a investigação direcionada para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 das Nações Unidas, é disponibilizada no Ciência_Iscte a possibilidade de associação, quando aplicável, dos artigos científicos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Estes são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável identificados pelo(s) autor(es) para esta publicação. Para uma informação detalhada dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, clique aqui.