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Intenção de adiar a maternidade: Apoio à família no ambiente de trabalho em Portugal e Alemanha
Beatriz Barrocas Costa (Costa, B. B. ); Inês C. Sousa (Sousa, I.C.);
Event Title
XIII Conferência internacional de Investigação e Intervenção em Recursos Humanos
Year (definitive publication)
2026
Language
Portuguese
Country
Portugal
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(Last checked: 2026-04-13 01:49)

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Abstract
A conciliação entre maternidade e carreira continua a ser um dos principais desafios enfrentados por mulheres em idade reprodutiva, e, frequentemente, a principal fonte de desigualdades de género no mercado de trabalho. Estudos anteriores (e.g., Benzies et al., 2006) indicam que o suporte no ambiente de trabalho pode influenciar decisões relacionadas com o planeamento familiar, nomeadamente a intenção de adiar a maternidade. De acordo com a Teoria do Suporte Organizacional Percebido (Eisenberger et al., 1986), tanto as políticas organizacionais de apoio à família quanto o apoio do supervisor podem favorecer um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. As políticas de apoio à família incluem serviços que auxiliam na gestão das responsabilidades familiares diárias, como horários de trabalho flexíveis ou a disponibilização de creches. Por sua vez, o apoio do supervisor traduz-se na demonstração de compreensão relativamente ao desejo do trabalhador de conciliar vida profissional e familiar, bem como no esforço para acomodar essas responsabilidades. Assim, o primeiro objetivo deste estudo foi analisar a influência das políticas organizacionais de apoio à família e do apoio do supervisor na intenção de adiar a maternidade entre mulheres trabalhadoras. Para além disso, o papel do contexto nacional permanece pouco explorado, sendo relevante compreender se os efeitos do apoio organizacional e do apoio do supervisor diferem em realidades sociopolíticas e culturais distintas. Este estudo procura colmatar esta lacuna, investigando se o país de trabalho modera estas relações. Para tal, foi conduzido um estudo quantitativo, transversal, baseado num questionário aplicado a 217 mulheres trabalhadoras, 129 em Portugal e 88 na Alemanha. As participantes têm entre 19 e 41 anos (M = 29,86; DP = 4,38), 59% não têm filhos e cerca de 78% completaram, pelo menos, uma licenciatura. Para análise dos dados, foi utilizado o SPSS v.29, realizando-se uma regressão linear múltipla para testar os efeitos diretos das duas variáveis de apoio na intenção de adiamento da maternidade. Posteriormente, foram realizados dois modelos de moderação (macro PROCESS, Modelo 1) para investigar se o país de trabalho influenciava estas relações. Os resultados evidenciam que as políticas de apoio à família exercem um efeito negativo significativo sobre a intenção de adiar a maternidade (? = -0,303, p < 0,001), sugerindo que contextos organizacionais favoráveis podem reduzir a perceção de conflito entre carreira e maternidade. Em contraste, o apoio do supervisor não teve efeito significativo sobre esta intenção (? = -0,047, p = 0,537), sugerindo que a influência direta do supervisor sobre decisões reprodutivas pode ser limitada. Adicionalmente, os modelos de moderação indicaram que o país de trabalho não altera estas relações, sugerindo padrões consistentes entre Portugal e Alemanha. Para melhor compreender estes resultados, realizou-se um teste de comparação de médias para as variáveis de apoio e de intenção de adiar a maternidade nos dois países. Embora as participantes na Alemanha tenham reportado perceções ligeiramente superiores de apoio – tanto em políticas organizacionais (M = 3,34, DP = 0,83) como no supervisor (M = 3,20, DP = 0,94) – e uma menor intenção de adiar a maternidade (M = 2,93, DP = 1,39) em comparação com as participantes em Portugal (políticas: M = 3,21, DP = 0,98; supervisor: M = 2,97, DP = 1,11; adiamento: M = 3,15, DP = 1,38), estas diferenças não se revelaram estatisticamente significativas. Estes resultados reforçam a ideia de que as políticas organizacionais de apoio à família desempenham um papel preponderante na intenção de adiar a maternidade, ao promoverem um ambiente em que o conceito de trabalhador ideal se afasta da expectativa de disponibilidade contínua. Do ponto de vista teórico, os resultados destacam a importância de diferenciar os níveis de apoio no trabalho – organizacional versus liderança direta –, evidenciando a sua relevância para decisões relacionadas ao planeamento familiar. As implicações práticas incluem a necessidade de as organizações implementarem estratégias de flexibilidade laboral, licenças parentais alargadas e ambientes de trabalho que valorizem a conciliação entre vida profissional e pessoal, como a possibilidade de ausências pontuais para atender a necessidades familiares.
Acknowledgements
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Keywords
Suporte organizacional à família,Suporte da chefia à família,Adiamento da maternidade,Práticas de apoio à família
  • Psychology - Social Sciences
  • Economics and Business - Social Sciences

With the objective to increase the research activity directed towards the achievement of the United Nations 2030 Sustainable Development Goals, the possibility of associating scientific publications with the Sustainable Development Goals is now available in Ciência_Iscte. These are the Sustainable Development Goals identified by the author(s) for this publication. For more detailed information on the Sustainable Development Goals, click here.