SEXRWA-INVIOL
Os direitos sexuais e reprodutivos e as resistências culturais com base no género na África Ocidental: desigualdade, violência e ilegitimidade.
Descrição

O projeto constrói-se a partir de um conhecimento prévio, aprofundado, das formas de poder não formal, das hierarquias e valores socioculturais, em ambos os países, e ao longo das últimas décadas e propõe-se a analisar os processos de decisão relativos aos percursos dos indivíduos, tentando encontras as instâncias da desigualdade (de género, por exemplo no acesso à educação e abandono escolar), da violência (de género e contra minorias sexuais, por exemplo com a mutilação genital feminina e formas de violência sobre as comunidades LGBTQ) e ilegitimidade (social, por exemplo as liberdades sexuais representadas por formas não normativas de sexualidade como a homossexualidade e o mulipartenariado feminino).

Através da análise da adesão ou recusa aos direitos sexuais e reprodutivos, e dos fatores influentes nos processos de escolha, relativamente a práticas culturais marcadas para mudança, consideramos a forma crítica como as sociedades locais recebem estes discursos. 

Desafio

Os direitos sexuais e reprodutivos inscrevem-se nos direitos humanos de forma explícita e interligada desde os anos noventa. Tendo inicialmente, sobretudo a partir dos anos setenta, emergido no campo da saúde sob a forma de direitos reprodutivos, estes direitos alargaram-se, muito devido aos ativismos de género, para uma reflexão mais abrangente em torno dos direitos relativos à sexualidade humana.

Em África, e em particular na África Ocidental, estes direitos têm sido promovidos por diversas organizações internacionais em articulação com a vontade dos governos em ratificar as convenções de referência, como a CEDAW e a Carta Africana dos Direitos do Homen e dos Povos e o Protocolo de Maputo, e também por uma panóplia de organizações não governamentais internacionais e da sociedade civil, através das quais se configuram intervenções que vão do nível macropolítico ao chamado grassroots.

A natureza jurídico-política dos instrumentos de direito internacional, traduzida localmente, gera formas de biopolítica onde se intersectam práticas locais e a legitimidade social. Uma abordagem crítica dessa intersecção é necessária.

Esta perspetiva crítica tem sido avançada por autores como Sally Engle Merry (Merry, 2006), olhando para adequação dos conceitos transnacionais de direitos humanos às especificidades socioculturais em torno do género e da família, ou Didier Fassin (Fassin, 2012) fazendo a crítica do humanitarianismo como uma forma de moral global.

Este projeto dá conta da complexidade do desdobramento dos direitos sexuais e reprodutivos relativamente a diversas práticas, nas quais se inscrevem desigualdades e violência de género ou direitos de minorias sexuais.

Olhando para as resistências que se configuram como reação à promoção da mudança social feita através de ativismos locais, nomeadamente através de formas de associação com base no género ou de base religiosa, questionam-se os discursos e a sua real importância para as pessoas nos momentos de decisão.

O projeto constrói-se a partir de um conhecimento prévio, aprofundado, das formas de poder não formal, das hierarquias e valores socioculturais, em ambos os países, e ao longo das últimas décadas e propõe-se a analisar os processos de decisão relativos aos percursos dos indivíduos, tentando encontras as instâncias da desigualdade (de género, por exemplo no acesso à educação e abandono escolar), da violência (de género e contra minorias sexuais, por exemplo com a mutilação genital feminina e formas de violência sobre as comunidades LGBTQ) e ilegitimidade (social, por exemplo as liberdades sexuais representadas por formas não normativas de sexualidade como a homossexualidade e o mulipartenariado feminino).

Através da análise da adesão ou recusa aos direitos sexuais e reprodutivos, e dos fatores influentes nos processos de escolha, relativamente a práticas culturais marcadas para mudança, consideramos a forma crítica como as sociedades locais recebem estes discursos.

Parceiros Internos
Centro de Investigação Grupo de Investigação Papel no Projeto Data de Início Data de Fim
CEI-Iscte Desafios Societais e do Desenvolvimento Líder 2018-09-03 2021-09-03
Parceiros Externos

Não foram encontrados registos.

Equipa de Projeto
Nome Afiliação Papel no Projeto Data de Início Data de Fim
Clara Carvalho Professora Associada (com Agregação) (DCPPP); Investigadora Integrada (CEI-Iscte); Investigadora Responsável 2018-09-03 2021-09-03
Ricardo Falcão Investigador Associado (CEI-Iscte); Investigador Responsável 2018-09-03 2021-09-03
Blanca Sell Fernández -- Assistente de Investigação 2021-03-01 2021-09-03
Isaiete Augusto Jabula -- Assistente de Investigação 2021-01-15 2021-09-03
Financiamentos do Projeto
Código/Referência DOI do Financiamento Tipo de Financiamento Programa de Financiamento Valor Financiado (Global) Valor Financiado (Local) Data de Início Data de Fim
PTDC/SOC-ANT/31675/2017 -- Prémio FCT - PTDC - Portugal 234.689,77 234.689,77 2018-09-03 2021-09-03
Dados de Investigação Relacionados

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Referências nos Media Relacionadas

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Outputs (Outros)
Ano Tipo de Output Nome Descrição Participantes
2018 Conferência FGM in Portugal Apresentação em III International Forum on FGM/C in the Gambia, Banjul, 5-6 February Clara Carvalho
2018 Conferência Tecnologias Problemáticas: Aspiração Manual a Vácuo e Misoprostol na África Francófona Siri Suh é socióloga médica e trabalha como Professora Auxiliar de Sociologia na Brandeis University. É licenciada em Sociologia pela University of California, Berkeley, e doutorada em Ciências Sociomédicas pela Columbia University. A sua investigação centra‑se sobretudo na saúde materna e reprodutiva global, população e desenvolvimento, bem como nos estudos feministas e pós‑coloniais da ciência, da medicina e da tecnologia. O trabalho de Siri Suh incide principalmente sobre cuidados pós‑aborto, direitos reprodutivos e governação reprodutiva transnacional no Senegal, assim como sobre as persistentes desigualdades em saúde reprodutiva na África Ocidental. Clara Carvalho, Ricardo Falcão, Blanca Sell Fernández, Isaiete Augusto Jabula, Siri Suh
2018 Conferência Violência de Género na Guiné‑Bissau: Dissonâncias entre Representações, Práticas e Políticas 6º Webinar do projeto SEXRWA com a Dra. Sílvia Roque Clara Carvalho, Ricardo Falcão, Blanca Sell Fernández, Isaiete Augusto Jabula
2019 Conferência Os Direitos Sexuais e Reprodutivos e as resistências culturais com base no género na África Ocidental, desigualdade, violência e ilegitimidade presentation Panel 1, II International Conference Activisms in Africa, co-hosted by CESAC Clara Carvalho, Ricardo Falcão
2019 Conferência “Building the “public good” in Guinea-Bissau and Angola through social protection programs” presentation panel Anth03, European Conference of African Studies, Edinburgh, June 11-14 Clara Carvalho, Varanda, Jorge
2021 Conferência Explorar as Mulheres Senegalesas: A Normalização do Sofrimento Feminino através da Linguagem e da Religião, e Quem Deve Liderar a Luta pela Equidade de Género em África Na sua apresentação, a Dr.ª Marame Guèye — cuja investigação incide sobretudo sobre casamento, poligamia, “wifing”, relações de género e normas sociais — mostra como a distorção da linguagem e dos textos islâmicos contribui para reforçar e naturalizar o sofrimento das mulheres. A partir de uma perspetiva feminista, a Dr.ª Marame Guèye estuda as formas como as performances orais e a arte verbal são utilizadas como instrumentos de resistência pelas mulheres senegalesas, permitindo‑lhes fazer ouvir a sua voz. Do mesmo modo, a Dr.ª Guèye observa que as tradições wolof e as suas principais noções linguísticas se tornaram uma espécie de “língua franca” no Senegal, fazendo de “Goor Dongue” um filme que ressoa com a cultura senegalesa no seu conjunto, apesar da grande diversidade étnica do país. Clara Carvalho, Ricardo Falcão, Blanca Sell Fernández, Isaiete Augusto Jabula, Marame Guéye
2021 Conferência A Política da Investigação sobre Sexo: Reflexões sobre Trabalho de Campo no Senegal Durante a sua apresentação online, enquanto nos oferecia um enquadramento rápido e rico do seu trabalho, a Dr.ª Foley levou‑nos consigo na reflexão sobre as suas conclusões e o seu percurso pessoal, ao longo de mais de duas décadas de investigação e trabalho de campo no Senegal. Clara Carvalho, Ricardo Falcão, Blanca Sell Fernández, Isaiete Augusto Jabula, Ellen Folley
2021 Conferência Desistir em Silêncio: Viúvas e Outras Criadoras de Problemas na Guiné‑Bissau Rural Esta apresentação explora a forma como as categorias de género são perturbadas de modo significativo e inesperado quando as mulheres operam fora dos percursos conjugais normativos. Centrando‑se na crescente presença de casas de viúvas nas aldeias jola da Guiné‑Bissau, Joanna Davidson interroga‑se sobre as razões pelas quais as habitantes dessas casas não são nomeadas nem reconhecidas como uma categoria social. Sugere que as viúvas representam um problema tão profundo para o status quo patriarcal da sociedade jola que a sua própria menção se torna proibida. Ao recusarem a conformidade matrimonial, a presença das viúvas jola assombra a instituição do casamento, porque suscita a sugestão — perigosa — de que as mulheres podem, de facto, gerir a sua vida fora dele. Clara Carvalho, Ricardo Falcão, Blanca Sell Fernández, Isaiete Augusto Jabula, Joanna Davidson
2021 Conferência Deus, Ouve as Nossas Preces: Género, Islão e Direitos Humanos nos Debates sobre o Corte Genital na Guiné‑Bissau e em Portugal Esta apresentação explora o debate complexo e em constante transformação sobre rituais de iniciação, corte genital e direitos humanos entre os povos mandinga na Guiné‑Bissau e entre imigrantes muçulmanos guineenses em Portugal. Com base no seu trabalho de campo transnacional e multi‑temporal, desenvolvido ao longo de mais de duas décadas, Michelle Johnson destaca perspetivas locais, críticas globais e os efeitos das imagens mediáticas ocidentais sobre os praticantes, à medida que estes se reinventam a si próprios e às suas práticas ritualísticas dentro e fora do continente. A autora procura recentrar o debate, deslocando-o de um foco exclusivo nas mulheres para uma abordagem mais ampla ao género, e da saúde física para a dimensão menos evidente do bem‑estar espiritual. Mais especificamente, argumenta que as perspetivas dos direitos humanos sobre o corte genital devem também reconhecer as visões dos homens, a prática da circuncisão masculina e o papel da religião. Clara Carvalho, Ricardo Falcão, Blanca Sell Fernández, Isaiete Augusto Jabula, Michelle Johnson
Ficheiros do projeto

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Com o objetivo de aumentar a investigação direcionada para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 das Nações Unidas, é disponibilizada no Ciência_Iscte a possibilidade de associação, quando aplicável, dos projetos científicos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Estes são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável identificados para este projeto. Para uma informação detalhada dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, clique aqui.

Os direitos sexuais e reprodutivos e as resistências culturais com base no género na África Ocidental: desigualdade, violência e ilegitimidade.
2018-09-03
2022-08-31