Comunicação em evento científico
Da Academia às Escolas: As Academias STEAM@Amadora como Modelos de Co‑construção para Aprendizagem e Cidadania Digita
Vanessa Silva (Carvalho da Silva, V.); Daniela Freitas (Freitas, D.);
Título Evento
II Congresso Internacional Práticas Educativas ESE João de Deus
Ano (publicação definitiva)
2026
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
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Abstract/Resumo
O projeto Academias STEAM@Amadora constitui um exemplo inovador de como a colaboração entre a academia e as escolas pode gerar ecossistemas pedagógicos sustentáveis, orientados para o sucesso educativo e para a cidadania digital. Partindo da consciência dos impactos da infoexclusão numa sociedade cada vez mais digitalizada, evidenciados durante a pandemia, o projeto propõe uma abordagem integrada baseada na filosofia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática), articulando ensino básico e secundário com investigação e ensino superior. O projeto visa compreender de que forma a flexibilização do processo de ensino-aprendizagem, através da integração da abordagem pedagógica STEAM em dois Agrupamentos Escolares (AE) de diferentes ciclos de ensino, poderá contribuir para a motivação e envolvimento de docentes e estudantes e, consequentemente, para o sucesso educativo. Com este objetivo como ponto de partida, pretende-se ainda responder às seguintes questões: De que forma a aplicação de metodologias colaborativas na co-criação das Academias poderá contribuir para uma maior identificação, participação e implicação dos/as professores e estudantes? O investimento em ações de capacitação técnica e pedagógica ajustada às necessidades dos/as docentes dos AE terá impacto na implementação, sustentabilidade e continuidade das Academias cocriadas? O investimento em ações de capacitação técnica para estudantes, garantindo a apropriação das competências necessárias para o desenvolvimento de projetos, contribuirá para uma maior participação e interesse nas atividades das Academias, e na projeção de percursos educativos nas áreas STEAM? Para responder a estas questões, a investigação-ação surge como a abordagem metodológica mais adequada. Esta metodologia consubstancia-se como um eixo estruturante do projeto, permitindo que a implementação do modelo STEAM, em cada AE, decorra de um processo de iteração, entre o diagnóstico, a experimentação, a reflexão/avaliação e a implementação de melhorias. Dessa forma, num primeiro momento, e com o propósito de conhecer/compreender para agir, realizou-se uma análise documental e secundária a relatórios produzidos pela Autarquia (Amadora) e outros documentos de referência produzidos por entidades nacionais (Conselho Nacional de Educação; Direção Geral de Educação) e internacionais (OCDE, UNESCO, Comissão Europeia). Em concomitância foram realizadas entrevistas exploratórias, workshops e grupos focais com diferentes entidades da comunidade, visando o diagnóstico educativo e social do concelho. Num segundo momento, depois de conhecidos os AE, nos quais se iria implementar as Academias, foram realizadas entrevistas com os respetivos Diretores e professores. As entrevistas tiveram como objetivo aprofundar o conhecimento dos contextos educativos, fazer um levantamento dos desafios, das necessidades e das expetativas e potencialidades de cada AE. Na fase de implementação, como ponto de partida foi aplicada a metodologia de Design Thinking, no espaço físico das Escolas destinado às Academias, envolvendo diretores, professores e estudantes. Ao longo da vigência do projeto foram sendo realizadas diversas reuniões, presenciais e online, questionários e grupos focais para acompanhamento, discussão e avaliação com o fito de melhorar e adaptar as atividades ao contexto educativo de cada escola. As Academias STEAM@Amadora resultaram, assim, de um processo de co-construção pedagógica, permitindo que cada AE desenvolvesse um modelo próprio, refletindo a identidade dos seus professores, alunos/as e contextos. Este processo foi orientado por metodologias de Design Thinking, envolvendo diagnósticos participativos, ideação, prototipagem e implementação, garantindo a pertinência curricular, equidade no acesso e sustentabilidade das práticas. No que concerne à colaboração entre academia e escolas na construção de um ecossistema pedagógico, a equipa técnico científica do Iscte (Meta Digital) assumiu um papel central na gestão deste processo, acompanhando a implementação dos projetos, monitorizando as atividades e assegurando a coerência científica e pedagógica. Os resultados inovadores do projeto residem na criação de Laboratórios STEAM dentro das escolas, com equipamento digital de ponta e na dinamização de mentorias académicas, asseguradas por estudantes do Iscte – Escola de Tecnologias Digitais (polo de Sintra), promovendo não apenas a aprendizagem dos conteúdos, mas também estratégias de estudo e competências sociais e digitais relevantes para o prosseguimento de percursos escolares e académicos. Paralelamente, a academia desenvolveu um plano de formação acreditada para docentes que integrou 10 ações de curta duração (ACD) e um curso de formação de longa duração (60h), garantindo a certificação em áreas técnicas e pedagógicas relevantes para um processo de ensino-aprendizagem orientado pela pedagogia STEAM. Lecionadas por um corpo docente altamente especializado do Iscte – Escola de Tecnologias Digitais (polo de Sintra), estas ações contribuíram para a capacitação docente, para a sua progressão de carreira e para a integração de tecnologias emergentes em práticas curriculares inovadoras. Considerando todas as atividades realizadas em ambos os agrupamentos escolares, contabilizaram-se 622 participações (professores e estudantes). Do ponto de vista dos alunos, as Academias STEAM@Amadora proporcionaram experiências diversificadas que cruzaram ciência, tecnologia e arte, ativando a aprendizagem a partir da prática e da resolução de problemas. A dimensão comunitária do projeto foi reforçada pela criação da Rede de Tutores Digitais, composta por alunos que apoiaram programas de literacia digital de adultos, promovendo aprendizagens intergeracionais e uma cidadania ativa. No total, foram dinamizadas oito ações de tutoria digital envolvendo 90 estudantes e aproximadamente duas dezenas de adultos. A culminar este percurso, a ExpoSTEAM constituiu um espaço público de partilha, onde os estudantes de ambas as Academias apresentaram um total de 27 projetos desenvolvidos ao longo do ano letivo, valorizando a criatividade, a metacognição e a articulação entre escolas, famílias e parceiros culturais. Estiveram envolvidos, entre estudantes e professores, 88 participantes. Concluindo as Academias STEAM@Amadora afirmam-se, assim, como modelos de co‑construção entre academia e escolas, capazes de integrar formação acreditada, mentoria universitária, práticas pedagógicas inovadoras e cidadania digital. Este projeto demonstra que a colaboração estruturada entre instituições de ensino superior e agrupamentos escolares pode gerar ecossistemas educativos orientados para o sucesso e prosseguimento das aprendizagens, a equidade, a criatividade e o rigor científico, respondendo aos desafios contemporâneos da educação formal.
Agradecimentos/Acknowledgements
Iscte Meta Digital e à equipa Academias STEAM: Teresa Evaristo e José Miguel Dias.
Palavras-chave
pedagogia STEAM,inovação pedagógica,co-construção pedagógica,mentoria académica,literacia digital.

Com o objetivo de aumentar a investigação direcionada para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 das Nações Unidas, é disponibilizada no Ciência_Iscte a possibilidade de associação, quando aplicável, dos artigos científicos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Estes são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável identificados pelo(s) autor(es) para esta publicação. Para uma informação detalhada dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, clique aqui.