Lista de Projetos

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A Revolução dos Cravos (1974-75) implicou o colapso do antigo império colonial Português. A libertação das antigas colónias levou à saída de 500 000 a 800 000 refugiados e 'retornados' de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que se deslocaram para Portugal por uma infinidade de razões políticas, económicas e sociais. O Estado português não dispunha do parque habitacional necessário para instalar aqueles recém-chegados. Assim, após soluções temporárias ad hoc e caóticas, o Fundo de Fomento da Habitação (FFH), instituição estatal de promoção da habitação pública, criou a Comissão de Alojamento de Refugiados – CAR, um programa habitacional especificamente destinado para as famílias desenraizadas. O programa CAR reflete a complexidade deste processo de descolonização, falta de habitação, desigualdade social e uma construção de um território pós-revolucionário. Contudo, nunca foi objeto de qualquer estudo específico. O CAR propôs a criação de bairros de habitação pré-fabricadas compradas pela FFH a fornecedores privados, com as autarquias a assegurarem os terrenos para o desenvolvimento e a promovão de obras de urbanização. Durante o seu curto período (1976-1982), com alguns desenvolvimentos concluídos mais tarde, o CAR foi prejudicado por dificuldades burocráticas e técnicas. Ainda assim, produziram-se dezenas de exemplos em todo o Portugal, em contextos urbanos a suburbanos e rurais. Em alguns casos, as habitações do CAR foram também utilizadas para fornecer alojamento adicional para habitantes locais necessitados, misturando refugiados com pessoas de outras operações de realojamento. Apesar da sua ampla distribuição pelo território e do caráter excecional das suas técnicas construtivas e do seu público-alvo, o CAR caiu no esquecimento da história da arquitetura e do urbanismo. Mesmo nos relatos das experiências dos refugiados pós-coloniais, o CAR tem sido muitas vezes subestimado. Existem várias dificuldades no estudo do programa CAR. Ou...
Informação do Projeto
2026-02-23
2027-08-22
Parceiros do Projeto
Este projeto é motivado pelos efeitos nocivos que o assédio e o abuso sexual (SHA) no desporto representa para as atletas femininas, as organizações desportivas e a sociedade. O SHA é um dos principais desafios da política desportiva internacional contemporânea. A cobertura mediática de casos e o crescente número de denúncias de SHA em todos os desportos e níveis também colocou o tema na agenda de diversas organizações internacionais e aumentou o interesse académico.
Informação do Projeto
2026-02-16
2027-08-15
Parceiros do Projeto
Culturas Urbanas Radicais [RUC] investiga as ecologias políticas dos entrelaçamentos urbano-alimentares-solo no Antropoceno, no contexto da crise global do solo, examinando o fenômeno emergente do Vinho Natural [VN]. O VN é uma abordagem à vinificação de intervenção mínima, que desafia normas, práticas e imaginários associados à viticultura 'convencional' e à sua cultura ‘industrial’ (Legeron2020), e reúne produtores rurais e consumidores urbanos em uma comunidade global de distribuidores, estabelecimentos e associações. RUC compreende o VN como um fenômeno socioecológico que emerge na interseção de três culturas: 1. Uma ‘cultura do solo’ mais-que-humana (Puig2015), composta por bactérias, fungos, arqueias, insetos, plantas e humanos que compõem seu ‘terroir’ (Pavoni2020) 2. Uma (contra)cultura formada por valores, normas e práticas alternativas ao sistema agroalimentar industrial 3. Uma ‘atmocultura’ urbana criada pelos espaços urbanos onde é consumido (Brighenti&Pavoni2017) RUC entende o VN como: intrinsecamente urbano, por depender de economias politicas, estéticas e supply chains urbanas; e radical, por ser informado por um imaginário ecológico que desafia a ‘gramática de propósitos, meios e valores’ do sistema agroalimentar industrial (Pellizzoni2023:183; Gonzalez&Parga-Dans2023). A cultura urbana radical do VN emerge das circulações e fricções entre as ecologias mais-quehumanas de produção que o compõem, os imaginários alternativos que o alimentam, e as atmosferas urbanas através das quais é consumido. A crise global do solo (FAO2021) resulta da redução exploratória do solo a um recurso inerte para uso e extração humana, sistematicamente ocultando, poluindo e esgotando sua vitalidade ecológica. Se, como mostram os ativistas do solo, forjar futuros habitáveis no Antropoceno exige reimaginar as relações humano-solo além dos paradigmas existentes (Puig2015), isso não é apenas um esforço rural, mas também urbano. As relações urbano-alimentares—onde o sist...
Informação do Projeto
2026-02-16
2027-08-15
Parceiros do Projeto
FAMA dá grande ênfase à participação inclusiva, ao design sensível às questões de género e ao acesso digital, com uma plataforma multilingue para ampliar o seu alcance. Ao ligar educação, diálogo e defesa de causas, a FAMA capacita os cidadãos para salvaguardar os valores democráticos na era digital.
Informação do Projeto
2026-02-02
2028-02-01
Parceiros do Projeto
Nos últimos anos, Portugal e Espanha têm assistido a um desenrolar público e ao mesmo tempo controverso de políticas de memória sobre os seus passados violentos (coloniais, fascistas). Se em Portugal as atuais comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos e da independência das suas antigas colónias suscitaram debates sobre processos hegemónicos e oficiais versus alternativos de patrimonialização e o silenciamento de memórias do seu passado colonial, em Espanha a trajetória social da Lei da Memória Histórica desde a sua implementação em 2007 tem sido marcada por diferentes instâncias de disputa política e “lawfare”. Isto recorda-nos que a memória não é apenas (no sentido freudianos e sociológico) um território contestado, mas também que os processos de memória e herança são intervenções e mobilizações contingentes em conjuntos "disponíveis" determinados por hegemonias políticas (Samuels 2018). A questão mantém-se pertinente e ativa: o que motiva as mobilizações para preservação e arquivo (Derrida 1996), e que mobilizações se tornam hegemónicas ou marginalizadas no campo da memória que se gera? E mais importante, quais os custos epistemológicos, políticos e éticos de tais mobilizações? Que memórias se tornam invisíveis/indetetáveis/impossíveis no processo? Esta formulação equipara, portanto, os processos de memória e património, em particular os relacionados com a violência do passado, a mobilizações sociais necessariamente conflituosas que incorporam problemas de justiça, direitos humanos e reparações. A este respeito, embora a contribuição do património para a paz, a democracia e os direitos humanos tenha sido recorrentemente formulada através de canais políticos e académicos desde a sua formulação no âmbito da UNESCO, existe ainda um conhecimento e uma compreensão insuficientes dos contextos em que a patrimonialização contribui para a injustiça social através de processos de imposição, hegemonia, amnésia e silenciamento – em particular no que diz respeito às me...
Informação do Projeto
2026-02-01
2027-07-31
Parceiros do Projeto