Capítulo de livro
A universidade, suas práticas e a necessária construção de novas agendas
António Oliveira (Oliveira, A.); Eliane Ribeiro Pereira (Pereira, E.R.); Rosário Mauritti (Mauritti, R);
Título Livro
Práticas Inovadoras em Gestão Universitária: Interfaces entre Brasil e Portugal
Ano
2020
Língua
Português
País
Brasil
Mais Informação
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Abstract/Resumo
Nos últimos dois séculos, a instituição universitária esteve diretamente inserida nos diversos processos históricos de construção dos projetos de Estados-nações no ocidente, desempenhando um importante papel na materialização de projetos de desenvolvimento. No entanto, nos tempos recentes, as universidades enfrentam o risco de serem percebidas meramente como empresas ou organizações, submetidas à lógica do mercado e pautadas segundo os ditames da ideologia da competência (CHAUÍ, 2014). A educação, enquanto direito público vai sendo transmutada em serviço que deve atender aos interesses do mercado e, sobretudo, à lógica do lucro privado. Ao submeter-se, sem questionamentos e devidas reflexões, à busca pela racionalização dos procedimentos, pelas estratégias de gestão e aos resultados quantificáveis, a universidade corre o risco de deixar de cumprir sua missão pública e tornar-se somente um meio particular de produção na lógica mercantil do sistema capitalista. Não são poucas as ações e pressões que visam à destruição da essência pública das universidades. A universidade, enquanto instituição pública, é um lugar que favorece e promove a construção de redes de sociabilidades e de interações entre práticas culturais. Assim sendo, a formação acadêmico-científica que promove não é dissociada da formação humanista e socialmente referenciada. A despeito das transformações deste conturbado mundo contemporâneo, acreditamos que a universidade continua sendo instituição privilegiada na medida em que ainda possibilita o encontro, a articulação e o diálogo crítico entre diversos e distintos saberes com modos de conhecer específicos. Por outro lado, tal multiplicidade, não raras vezes, traz uma “crise de identidade” e uma “crise de legitimidade” (SANTOS, 2001) à universidade, que precisa, assim, estar em constante processo de repensar e refazer-se. Consideramos que, nestes tempos, o problema crucial desta instituição não é a promoção do ensino superior em seu sentido “utilitário”; trata-se, sim, de buscar reorientá-lo com vistas à definição do compromisso social que a universidade toma para si; trata-se de um posicionamento político; não isento, em que ela se coloca frente aos mecanismos de conservação ou de transformação da realidade social. Assim feito, a universidade conseguirá manter seu papel de vanguarda na produção, na crítica e na difusão do conhecimento. Enfrentar tais desafios e construir alternativas para trabalhar as tensões internas e externas às instituições, buscando a consolidação de um novo paradigma para a educação superior pública no Brasil e em Portugal é responsabilidade que cabe a todos nós. Tem-se o entendimento de que, pelas suas características constitutivas e por suas finalidades, a universidade pública tem importância fundamental na construção da sociedade, na medida em que “tem um compromisso com o passado, preservando a memória; com o presente, gerando novos conhecimentos e formando novos profissionais; e com o futuro, funcionando como vanguarda.” (KUNSCH, 1992, p.23). Desta forma, é “grande a responsabilidade que recai sobre a universidade pelo fato de ela ser um centro por excelência de criação e reprodução de novos avanços científicos e tecnológicos e ter, como dever, a missão de imbuir-se da tarefa de democratizar as conquistas, tornando-as acessíveis à sociedade” (KUNSCH, 1992, p. 78). Na linha analítica de Maria de Lourdes Fávero, entende-se, ainda, que a universidade deve voltar a se preocupar com a criação, a produção do conhecimento, a busca de saber, necessitando também pensar “em como disseminar competentemente esses conhecimentos. Tem de assumir que a socialização do conhecimento por ela produzido não é um só dever, mas um determinante ao se pretender uma universidade democrática.” (FÁVERO, 1989, p.52).
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
Universidade,Serviço público,Responsabilidade social da Universidade,Brasil e Portugal

Com o objetivo de aumentar a investigação direcionada para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 das Nações Unidas, é disponibilizada no Ciência-IUL a possibilidade de associação, quando aplicável, dos artigos científicos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Estes são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável identificados pelo(s) autor(es) para esta publicação. Para uma informação detalhada dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, clique aqui.