Comunicação em evento científico
O património imóvel avesso às estatísticas? Os Monumentos Nacionais e o acesso público
Jorge Alexandre Santos (Santos, J.); Sofia Costa Macedo (Macedo, S.C.); Ana Paula Miranda (Miranda, A.P.);
Título Evento
XI Congresso Português de Sociologia
Ano
2021
Língua
Português
País
Portugal
Mais Informação
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Abstract/Resumo
O conceito institucional aceite em Portugal para património cultural reflete o alargamento do mesmo e partiu da tomada de consciência da sociedade de que é importante o estudo, a salvaguarda e a valorização dos bens patrimoniais. Em Portugal, a figura da classificação é uma das medidas mais duradouras nas práticas de salvaguarda do património. As categorias de classificação apresentam uma hierarquização que tem no Monumento Nacional o maior grau de reconhecimento. Do ponto de vista das políticas públicas, a intervenção sobre o património imóvel é uma das áreas mais significativas pela longevidade de ação, pelos investimentos e pela atividade de regulação, com vista à sua salvaguarda e valorização. Embora estejam disponíveis inventários institucionais e informação referente à salvaguarda, já quanto à valorização deparamos com ausência de dados, nomeadamente estatísticos, para aferição do impacto de medidas relacionadas com o acesso público e visitantes. Apesar das repetidas chamadas de atenção por parte de investigadores de diversas áreas, incluindo sociólogos, esta vertente permanece avessa à quantificação, argumentando-se frequentemente que isso decorre de um efeito conjugado da sua vastidão, heterogeneidade e regime de acesso. Estas questões são aqui discutidas à luz de um estudo recente realizado no âmbito do OPAC-Observatório Português das Atividades Culturais, em que se articulam perspetivas sociológicas e históricas, sobre a valorização e acesso público aos Monumentos Nacionais, cujo objetivo é contribuir para a criação de estatísticas nacionais, e oficiais, sobre esta matéria. O estudo assentou numa metodologia quantitativa, de inquérito por questionário a uma amostra de 179 Monumentos Nacionais, complementada por contactos e entrevistas exploratórias com responsáveis e funcionários dos Monumentos, e incidiu em diversas dimensões do seu acesso público, incluindo os visitantes, as valências, o pessoal ao serviço e as atividades. O trabalho de campo decorreu em 2019 e 2020. Para os objetivos do estudo são igualmente relevantes os dados quantitativos, obtidos com o inquérito, como os qualitativos, decorrentes do processo de inquérito. Nesta comunicação avançamos resultados nessa dupla perspetiva: da quantificação das dimensões inquiridas para os anos em análise (2017 a 2019); e da identificação do conjunto de aspetos em que as instituições do património cultural se manifestam avessas à quantificação estatística. Pretende-se, assim, contribuir para o conhecimento da realidade atual do património cultural imóvel, do impacto das políticas públicas, das atividades culturais da população portuguesa e dos turistas estrangeiros, e também dos bloqueios que se colocam ao estabelecimento e desenvolvimento de estatísticas nacionais neste domínio e as formas de os ultrapassar.
Agradecimentos/Acknowledgements
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Palavras-chave
Património cultural imóvel,Políticas culturais,Visitantes de monumentos nacionais,Estatísticas da cultura
  • Sociologia - Ciências Sociais